
Golfe, protestos e negócios: Trump aterrissa na Escócia cercado por vaias e interesses próprios
Enquanto manifestantes exigem sua saída, ex-presidente mistura diplomacia com promoção dos campos de golfe da família
Donald Trump passou o sábado (26) como quem não ouve o barulho lá fora: jogando golfe com o filho Eric e o embaixador dos EUA no Reino Unido, Warren Stephens, em seu luxuoso campo à beira-mar, em Turnberry, na Escócia. Do outro lado do cenário, manifestantes se espalhavam pelas ruas do país para deixar claro que, para muitos, o ex-presidente não é bem-vindo.
Em Edimburgo, a cerca de 160 km de onde Trump relaxava com seus tacos, centenas de pessoas se reuniram em frente ao consulado dos EUA. Cartazes caseiros, gaitas de fole e gritos como “Trump Fora!” tomaram a cena. A pauta era extensa: desde o apoio de Trump a Israel na guerra contra o Hamas, passando pela crise migratória, até críticas ao acordo comercial do Reino Unido com os EUA.
“Ele é a pior coisa que aconteceu ao mundo em décadas”, disparou a fotógrafa escocesa June Osbourne, vestida como uma personagem de O Conto da Aia. Segurava uma foto de Trump com a palavra “Resista” estampada no rosto dele.
Mesmo com protestos menores do que os registrados em 2018, durante seu primeiro mandato, o recado foi claro: não há tapete vermelho para Trump. Entre as faixas exibidas, frases como “Migrantes são bem-vindos”, “Nada de tapete vermelho para ditadores” e até um cachorro que carregava um cartaz dizendo “Nada de petiscos para tiranos”.
Enquanto isso, Trump aproveitava a viagem para cuidar dos negócios da família. Aos 79 anos, prestes a voltar à Casa Branca em uma eventual reeleição, ele promove a abertura de mais um campo de golfe com seu nome. A agenda oficial prevê conversas com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen — mas, na prática, tudo soa como uma vitrine para o império Trump Golf.
Questionada sobre o claro conflito entre o interesse público e o privado, a Casa Branca tratou de suavizar: “É uma viagem de trabalho”, disse a porta-voz Taylor Rogers. E, como se falasse de uma conquista artística, completou: “Trump construiu os campos de golfe mais bonitos do mundo”.
Para críticos como Jordan Libowitz, do grupo Citizens for Responsibility and Ethics, essa mistura entre governo e negócio familiar virou a marca registrada de Trump. “Ele já não enxerga mais diferença entre os dois”, afirmou.
Trump não é o primeiro presidente americano a dar tacadas na Escócia — Eisenhower fez o mesmo em 1959 e George W. Bush visitou o país em 2005. Mas nenhum deles transformou o golfe em símbolo de poder pessoal como Trump tem feito.
Entre reuniões diplomáticas e investimentos familiares, o ex-presidente segue apostando que pode jogar nos dois campos ao mesmo tempo — o da política e o dos negócios. A questão é: quem vai pagar o green fee?