
Governo Lula abre o microfone para a Globo — e a conta fecha com “boa vontade” no noticiário
Em 2025, ministros e aliados deram dezenas de entrevistas exclusivas ao grupo, reforçando a velha lógica: quem recebe prestígio e verba, também ganha pano passado
O governo Lula parece ter escolhido bem onde quer ser tratado com carinho. Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros do primeiro escalão e líderes governistas no Congresso concederam 175 entrevistas exclusivas ao Grupo Globo — um volume que deixa claro que, na hora de falar com a imprensa, existe sim uma “preferida”.
E não é difícil entender por quê.
Quando um veículo se torna o queridinho do Planalto, não é só por afinidade editorial ou coincidência. É aquela relação clássica: o governo entrega acesso, destaque e “exclusivas”; e, em troca, o noticiário ganha aquele tom macio, aquele cuidado extra… como quem pisa em ovos para não desagradar o dono do convite.
Entre os ministros, quem mais apareceu conversando com o conglomerado foi Marina Silva, do Meio Ambiente, liderando em entrevistas ao grupo. Enquanto isso, seis ministros sequer falaram com a empresa, o que mostra que nem todo mundo entrou no rodízio da boa vizinhança.
Ainda assim, o retrato geral é bem claro: o governo se esforçou para manter o Grupo Globo abastecido de falas, versões e bastidores — como se dissesse “toma aqui um material exclusivo e me trata com jeitinho”.
E a ironia fica ainda maior quando se lembra do que todo mundo comenta nos bastidores: a Globo segue como uma das maiores beneficiadas por verbas publicitárias públicas, com valores milionários. Aí fica fácil entender a lógica do jogo: quem recebe uma fatia generosa do bolo dificilmente vai morder a mão que serve.
Mesmo com toda essa preferência, o levantamento aponta que sete governistas não deram nenhuma entrevista exclusiva ao grupo, considerando também as oito trocas de comando em ministérios ao longo de 2025. Mas isso não muda o essencial: a engrenagem está funcionando, e o acesso segue sendo distribuído como moeda política.
No fim, o recado é simples e bem brasileiro:
quando a verba entra pela porta da frente, a crítica costuma sair pela porta dos fundos.