
Governo Lula ironiza investigação de Trump: “O Pix é nosso, my friend!”
Após EUA abrirem inquérito contra práticas comerciais do Brasil, Planalto reage com deboche e reforça orgulho nacional sobre o sistema de pagamentos
O governo brasileiro não perdeu tempo para reagir — com ironia e bom humor — à abertura de uma investigação pelos Estados Unidos sobre práticas comerciais brasileiras, incluindo o uso do Pix e o comércio popular da Rua 25 de Março, em São Paulo. A resposta veio pelas redes sociais oficiais, com direito a provocação ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, que autorizou o processo:
“Parece que nosso Pix vem causando um ciúme danado lá fora, viu? Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema Seguro, Sigiloso e Sem taxas. Só que o Brasil é o quê? Soberano”, escreveu o perfil oficial do governo no Instagram.
A postagem ainda ressaltou que o Pix, com mais de 175 milhões de usuários, já é o meio de pagamento mais popular entre os brasileiros — e não será abandonado por pressões externas:
“Nada de mexer com o que tá funcionando, ok?”
A provocação veio na esteira do anúncio feito pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que abriu um procedimento com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, alegando que determinadas práticas brasileiras estariam prejudicando o mercado norte-americano. O processo cita, entre outros pontos, possíveis violações de propriedade intelectual na 25 de Março, questões envolvendo o etanol, o desmatamento e até corrupção. Uma audiência pública está prevista para o dia 3 de setembro, e comentários podem ser enviados até 18 de agosto.
Durante um evento oficial na manhã desta quarta-feira (16/7), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, também ironizou a medida:
“Estamos vendo uma intromissão absolutamente indevida. Não dá pra imaginar que um presidente de uma das maiores potências do mundo esteja preocupado com a 25 de Março e com o Pix”, disse.
A reação brasileira evidencia um tom de resistência e escárnio diante do que é visto como um gesto protecionista e exagerado dos EUA. Enquanto isso, o Planalto aproveita o episódio para reforçar o nacionalismo digital, posicionando o Pix não apenas como inovação, mas como símbolo de soberania.
O episódio virou também munição para críticas políticas nas redes sociais, com internautas e autoridades acusando Trump de tentar sufocar o sucesso de soluções tecnológicas brasileiras por razões políticas e comerciais.