Governo Lula mantém sigilo de até 15 anos sobre telegramas diplomáticos envolvendo tarifas e sanções a Moraes

Governo Lula mantém sigilo de até 15 anos sobre telegramas diplomáticos envolvendo tarifas e sanções a Moraes

Documentos do Itamaraty detalham tensões com EUA, sanções contra o ministro do STF e possíveis impactos de tarifas; dois telegramas foram sigilosos após pedido de acesso pelo Estadão

O Ministério das Relações Exteriores colocou sob sigilo uma série de telegramas trocados entre o Brasil e sua embaixada em Washington ao longo dos últimos 10 meses. A medida abrange o período final da campanha eleitoral de Donald Trump e o aumento das tensões diplomáticas entre os dois países, especialmente por causa do chamado “tarifaço” e das sanções aplicadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Dos documentos classificados, nove receberam sigilo máximo de 15 anos, e outros 14 ficaram com sigilo de cinco anos. Dois desses telegramas foram elevados ao mais alto grau de sigilo depois que o Estadão solicitou acesso via Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo o Itamaraty, todas as informações foram protegidas com base no artigo 23 da LAI, que permite restrições quando a divulgação pode prejudicar negociações ou relações internacionais.

Os telegramas abordam temas delicados, como sanções financeiras de órgãos americanos contra Moraes pela Lei Magnitsky, suspensão de vistos de ministros do STF e do procurador-geral, lobby de parlamentares dos EUA — incluindo Eduardo Bolsonaro — e estratégias de “repressão transnacional”. Alguns documentos mencionam ainda conversas com assessores de deputados americanos e medidas de cooperação bilateral contra crimes transnacionais.

Além das ações envolvendo autoridades brasileiras, há registros de preocupação de associações de produtores agrícolas quanto aos impactos do tarifaço no comércio, especialmente no setor de laranjas.

Essa prática de elevar o grau de sigilo após pedidos formais de acesso à informação, segundo observadores, tem se tornado recorrente em diferentes ministérios do governo Lula, repetindo uma estratégia já utilizada durante a gestão Bolsonaro.

O Itamaraty ainda não se manifestou sobre os telegramas após a publicação da reportagem. O caso evidencia a complexidade das relações entre Brasil e EUA, e como decisões de caráter diplomático podem afetar tanto a política interna quanto os interesses comerciais do país.

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