Governo Lula recua após reação popular, mas expõe obsessão por aumentar impostos

Governo Lula recua após reação popular, mas expõe obsessão por aumentar impostos

Depois de críticas e desgaste político, Haddad volta atrás em alta de impostos sobre eletrônicos — alívio parcial não apaga a marca arrecadatória do Planalto

Após forte reação do mercado e da sociedade, governo Lula recua no aumento do imposto de importação sobre eletrônicos. Críticas recaem sobre Haddad e a política de elevação constante de tributos.

Depois de dias de críticas, pressão do setor produtivo e desgaste político evidente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi obrigado a dar um passo atrás em mais uma tentativa de aumentar impostos. A Câmara de Comércio Exterior decidiu revogar o aumento do imposto de importação sobre 15 itens de informática e telecomunicações, incluindo smartphones, notebooks e componentes eletrônicos amplamente usados pela população.

O recuo, porém, vale apenas para uma pequena fatia do pacote original: cerca de 10% dos mais de 1.200 produtos que haviam sofrido aumento de alíquotas. Ainda assim, o episódio escancarou o padrão que tem marcado a política econômica do governo: primeiro aumenta, depois observa a reação — e só então recua.

Haddad insiste, população paga

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi um dos principais defensores da alta do imposto. Segundo ele, a medida teria caráter “regulatório” e não impactaria os preços finais — argumento que soou distante da realidade para consumidores já sufocados por inflação, juros altos e carga tributária recorde.

No fim de 2025, o próprio governo projetava arrecadar cerca de R$ 14 bilhões com o aumento do imposto de importação. Ou seja: mais dinheiro no caixa do Estado, menos fôlego para empresas e consumidores.

Ainda assim, diante da repercussão negativa — especialmente em um ano pré-eleitoral — o Planalto optou por aliviar parcialmente a pressão. Além do recuo nos eletrônicos, a Camex concedeu isenção temporária (ex-tarifário) para 105 itens de bens de capital, informática e telecomunicações, com alíquota zerada por 120 dias.

Recuo tático não muda o rumo

O problema, segundo críticos, não é apenas essa decisão específica, mas o caminho escolhido pelo governo. Em vez de cortar gastos, rever privilégios ou enxugar a máquina pública, Lula e Haddad parecem apostar sempre na mesma saída: aumentar impostos — mesmo que isso encareça produtos essenciais e afete diretamente a classe média e os mais pobres.

A tentativa de elevar tributos sobre celulares e notebooks, itens básicos no cotidiano de estudantes, trabalhadores e pequenos empreendedores, foi vista como um erro grosseiro de cálculo político. O recuo evita um desgaste maior, mas não apaga a impressão de que o governo testa constantemente até onde pode ir antes da reação popular.

A conta sempre sobra para o cidadão

No discurso, o governo fala em justiça fiscal e fortalecimento da indústria nacional. Na prática, o brasileiro segue pagando mais, enquanto o Estado cresce e o ajuste estrutural nunca chega.

O episódio deixa claro que, sem pressão da sociedade e do mercado, o plano segue o mesmo: arrecadar mais, gastar mais e empurrar a conta para quem não pode escapar do imposto.

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