
Governo promete superávit de R$ 34,5 bi em 2026, mas mercado aposta em déficit
Orçamento prevê crescimento do PIB em 2,44% e salário mínimo de R$ 1.631; especialistas veem contas pressionadas por Previdência e gastos sociais
O governo entregou ao Congresso, nesta sexta-feira (29), o projeto de Orçamento para 2026. No papel, a meta é fechar as contas com um superávit de R$ 34,5 bilhões — um respiro pequeno, mas suficiente para cumprir o arcabouço fiscal aprovado no início do mandato de Lula.
Segundo o Ministério do Planejamento, a previsão é que o PIB cresça 2,44% no próximo ano, enquanto a inflação deve ficar em 3,6%. Já o salário mínimo está projetado em R$ 1.631 a partir de janeiro, mas o valor final ainda dependerá da inflação acumulada até dezembro.
O texto do Orçamento estima R$ 2,577 trilhões em receitas líquidas e R$ 2,601 trilhões em despesas, resultando no superávit previsto. Na conta, ficam de fora R$ 57,8 bilhões de precatórios, excluídos por decisão do STF. Também estão garantidos R$ 83 bilhões para investimentos, com R$ 52,9 bilhões destinados ao PAC.
Apesar da previsão oficial, analistas consideram o objetivo ousado. Com a Previdência e benefícios sociais consumindo cada vez mais recursos, sobra pouco espaço para cortes. O mercado, inclusive, aposta no oposto: déficit de 0,60% do PIB em 2026, segundo o último boletim Focus do Banco Central.
O projeto ainda será analisado e votado pelo Congresso, onde deve enfrentar pressões políticas para ampliar despesas. Em outras palavras, o que hoje é uma promessa de equilíbrio fiscal pode facilmente virar mais um rombo na prática.