Haddad apoia aumento de imposto sobre importações e diz que medida protege a indústria brasileira

Haddad apoia aumento de imposto sobre importações e diz que medida protege a indústria brasileira

Governo eleva tarifas de mais de mil produtos importados; alta pode chegar a 7,2 pontos percentuais e atinge eletrônicos e máquinas

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O ministro Fernando Haddad defendeu o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones. Segundo o governo, a medida busca combater concorrência desleal e fortalecer a produção nacional.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa do aumento do imposto de importação aplicado a mais de mil produtos estrangeiros, decisão tomada pelo governo federal no início de fevereiro. A elevação das tarifas pode alcançar até 7,2 pontos percentuais, impactando principalmente itens industriais e parte do mercado de eletrônicos, como smartphones.

Segundo Haddad, a iniciativa tem caráter regulatório e não arrecadatório. O objetivo central, afirmou, é proteger a indústria nacional de práticas consideradas desleais no comércio internacional.

Proteção à produção nacional e combate à concorrência desleal

De acordo com o ministro, mais de 90% dos produtos incluídos na lista já são fabricados no Brasil, seguindo as regras trabalhistas, ambientais e tributárias do país. O problema, segundo ele, surge quando empresas estrangeiras passam a vender mercadorias no Brasil a preços artificialmente baixos.

Haddad explicou que há casos em que companhias asiáticas, sem conseguir competir em mercados como Europa e Estados Unidos, direcionam seus produtos ao Brasil abaixo do custo de produção. Para o governo, isso desequilibra o mercado interno.

A lógica da medida, segundo o ministro, é simples: ou a empresa estrangeira instala produção no Brasil, gerando empregos e recolhendo impostos localmente, ou perde competitividade com o aumento da tarifa.

Tarifas podem ser ajustadas ou até zeradas

Questionado sobre críticas da oposição e a possibilidade de o governo recuar, Haddad afirmou que o mecanismo permite ajustes. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior poderá, se necessário, reduzir ou até zerar tarifas em casos específicos.

Ele reforçou que a medida funciona como um instrumento de defesa comercial, protegendo o país contra práticas predatórias e garantindo condições mais justas de concorrência.

Impacto nos smartphones é limitado

No caso dos celulares, o governo esclarece que o impacto será restrito. Dados oficiais indicam que 95% dos smartphones vendidos no Brasil em 2025 são produzidos no país. Apenas os 5% importados integralmente entram na nova regra.

Marcas de smartphones e possível impacto

  • Apple – Não
  • Samsung – Não
  • Motorola – Não
  • Xiaomi – Sim (não fabrica no Brasil)
  • Jovi – Não
  • Realme – Não
  • Oppo – Não

Além disso, o governo manteve alíquota zero para a importação de componentes que não são fabricados no Brasil, evitando prejuízos à indústria nacional que depende de peças estrangeiras.

Quais setores serão afetados

A nova política tarifária atinge uma ampla gama de produtos industriais e tecnológicos. Parte dos aumentos já está em vigor, e o restante passa a valer a partir de março. Entre os itens com imposto elevado estão:

  • Máquinas e equipamentos industriais
  • Caldeiras, turbinas e geradores
  • Empilhadeiras e robôs industriais
  • Fornos industriais e freezers
  • Tratores e embarcações
  • Equipamentos médicos, como tomógrafos e aparelhos de ressonância magnética
  • Componentes eletrônicos, painéis com LCD ou LED e circuitos impressos

Governo aposta em fortalecimento da indústria

Para Haddad, a medida não deve pressionar preços ao consumidor no médio prazo. Segundo ele, o foco é estimular a produção local, atrair investimentos e reduzir a dependência de importações em setores estratégicos.

“O objetivo é trazer a empresa para produzir no Brasil. Fora isso, o impacto é basicamente a proteção da indústria nacional”, afirmou o ministro, ao reforçar que o país precisa de instrumentos para se defender em um cenário global cada vez mais competitivo.

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