Humor seletivo não é coragem

Humor seletivo não é coragem

Indignação cresce contra Fábio Porchat por ironias políticas e silêncio diante de denúncias graves

O humorista Fábio Porchat voltou ao centro das críticas após gravar um vídeo ironizando políticos de direita no episódio do comercial da Havaianas, usando inclusive as dependências da Embaixada do Brasil em Roma. O tom debochado, travestido de humor, reacendeu um debate que vai muito além de uma peça publicitária: a seletividade moral e política de quem escolhe rir apenas de um lado.

Para muitos críticos, o problema não é o humor — é o silêncio conveniente. Enquanto Porchat faz piada com temas superficiais ou direciona sarcasmo a adversários ideológicos, assuntos graves que envolvem suspeitas, investigações e escândalos bilionários simplesmente não entram no roteiro.

Há quem questione, por exemplo, por que não houve vídeos irônicos sobre denúncias envolvendo o INSS, ou sobre supostas tentativas de interferência institucional em favor de bancos, temas amplamente debatidos na imprensa. Também causa revolta o fato de episódios que envolvem figuras do Judiciário, contratos milionários e relações de poder não receberem o mesmo tratamento “bem-humorado” que Porchat costuma reservar a alvos politicamente convenientes.

O contraste fica ainda mais evidente quando se lembra que o humorista já produziu conteúdo atacando familiares de políticos, levantando insinuações e explorando narrativas controversas — sempre com sarcasmo afiado. Para parte do público, isso revela não coragem, mas hipocrisia: ri quando é seguro, cala quando pode incomodar quem está no topo.

O sentimento que cresce nas redes não é apenas de discordância, mas de repúdio. Repúdio ao humor que escolhe lado, à ironia que ignora vítimas reais de escândalos e à postura de quem se apresenta como crítico do poder, mas age como aliado silencioso dele.

Humor tem força, alcance e responsabilidade. Quando vira instrumento seletivo, deixa de ser crítica social e passa a ser conveniência disfarçada de piada. E isso, para muitos brasileiros, já não tem graça nenhuma.

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