
Imposto acima de tudo: governo Lula e Haddad apertam o cerco e encarecem tecnologia no Brasil
Com discurso de “proteção à indústria nacional”, Planalto eleva tarifas de importação e reforça a sensação de que a solução do governo é sempre cobrar mais do consumidor
Sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a caneta econômica nas mãos do ministro Fernando Haddad, o governo decidiu seguir um caminho já conhecido — e temido — pelo brasileiro: aumentar impostos. Desta vez, o alvo são mais de 1.200 produtos importados, incluindo computadores, celulares, equipamentos médicos, máquinas industriais e componentes eletrônicos.
A decisão foi tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e entra em vigor a partir de março. As novas alíquotas do Imposto de Importação agora variam de 7,2% a até 25%, atingindo em cheio setores estratégicos da economia e da vida cotidiana.
O discurso oficial tenta minimizar o impacto. Representantes do governo garantem que os preços não vão subir e que a medida serve apenas para “proteger a indústria nacional”. Segundo essa narrativa, como boa parte dos celulares e eletrônicos é montada no Brasil, o consumidor não sentirá diferença no bolso. É a velha promessa de sempre: o imposto sobe, mas o preço, milagrosamente, não.
Na prática, porém, o setor produtivo e os importadores enxergam outra realidade. Entidades do mercado alertam que o aumento das tarifas atinge também bens intermediários e componentes essenciais à produção. Ou seja, encarece a cadeia inteira — da fábrica ao consumidor final. O efeito dominó é conhecido: custo maior, margem menor, investimento travado e preços pressionados.
A crítica central é inevitável: enquanto o governo Lula reclama de tarifas impostas por outros países e prega previsibilidade econômica no discurso internacional, adota internamente uma política que soa contraditória. De um lado, condena o protecionismo alheio; de outro, reforça o seu, sempre com mais impostos como ferramenta principal.
Sob Haddad, a política econômica tem seguido um padrão claro: quando falta ajuste estrutural ou corte de gastos, a saída é aumentar a arrecadação. Seja via imposto sobre consumo, renda ou agora importação, a conta continua caindo no colo de quem produz e consome.
O resultado é um ambiente de desconfiança. Empresas alertam para perda de competitividade, risco de retração industrial e encarecimento de produtos essenciais, inclusive na área de tecnologia e saúde. Já o consumidor, mais uma vez, assiste à repetição do roteiro: o governo garante que “não haverá impacto”, enquanto o mercado se prepara para repassar custos.
No fim das contas, a sensação é de déjà-vu. Lula e Haddad falam em desenvolvimento, mas entregam aumento de imposto. Prometem proteção, mas criam mais obstáculos. E reforçam a impressão de que, para este governo, quase todo problema econômico tem a mesma solução: cobrar mais — hoje, amanhã e sempre.