
INSS suspende contrato com a Crefisa após denúncias de irregularidades
Beneficiários que já recebem continuarão recebendo normalmente; novos pagamentos ficam suspensos até definição final
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou nesta quinta-feira (21) a suspensão cautelar do contrato com a Crefisa, responsável por parte dos pagamentos de aposentadorias e pensões.
A decisão veio após uma enxurrada de queixas de beneficiários e a identificação de falhas no atendimento. Entre os problemas relatados estão: atraso ou dificuldade para receber o benefício, pressão para abrir conta corrente, venda casada de serviços e até a falta de estrutura adequada nas agências.
Segundo o despacho publicado no Diário Oficial da União, a medida atinge apenas novas concessões de benefícios. Isso significa que quem já recebe pela Crefisa não será afetado e continuará recebendo normalmente, sem necessidade de tomar providências imediatas. Já os novos segurados não poderão escolher a financeira como banco pagador enquanto durar a suspensão.
O INSS informou que a medida é temporária e seguirá em vigor “até a conclusão definitiva dos processos de apuração”. A ideia é interromper práticas consideradas prejudiciais até que as investigações terminem.
O que acontece agora?
Para quem entrar no sistema a partir de agora, o INSS designará outro banco pagador. O segurado, depois de receber o primeiro pagamento, poderá pedir a portabilidade para a instituição de sua preferência, desde que esta tenha convênio com o órgão.
Outra opção é solicitar o recebimento apenas pelo cartão magnético, sem vínculo direto com um banco específico. Essa mudança pode ser feita pelo aplicativo ou site Meu INSS, no serviço “Alterar Local ou Forma de Pagamento”, ou ainda pelo telefone 135.
A reação da Crefisa
A financeira afirmou que recebeu a decisão “com surpresa”, já que, segundo ela, não houve notificação oficial do INSS até agora. O banco defende que presta o serviço desde 2020 sem interrupções e garante que não há registros de segurados sem pagamento.
A instituição também destacou investimentos superiores a R$ 1 bilhão em tecnologia e atendimento, afirmando que não pratica coação, nem venda casada, e que menos de 5% dos beneficiários atendidos abriram contas correntes.
Apesar da defesa, o INSS reforçou que não admite práticas que prejudiquem ou constranjam os segurados — principalmente os que vivem em situação de maior vulnerabilidade social.