Investigação ressuscitada e suspeitas de perseguição política contra a direita

Investigação ressuscitada e suspeitas de perseguição política contra a direita

MP do Rio reabre apuração contra Carlos Bolsonaro em pleno ano eleitoral, reacendendo críticas sobre uso político de investigações já arquivadas

Em meio ao calendário eleitoral e com a direita em evidência no debate nacional, o Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu reabrir uma investigação contra o ex-vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, por uma suposta prática de “rachadinha” durante seu mandato na Câmara Municipal do Rio.

A decisão foi tomada após um parecer da assessoria criminal da Procuradoria-Geral de Justiça do Rio, que apontou a necessidade de “prosseguimento das investigações”. O movimento causou reação imediata entre aliados e apoiadores de Carlos, que veem na medida mais um episódio de perseguição política direcionada a nomes da direita, especialmente em um momento sensível do cenário eleitoral.

O caso chama atenção porque a própria Promotoria havia decidido arquivar a investigação em 2024, após anos de apuração. À época, o MP concluiu que não existiam indícios suficientes para responsabilizar diretamente Carlos Bolsonaro, apesar de ter denunciado assessores de seu gabinete por desvio de recursos públicos.

Segundo a acusação original, sete ex-funcionários teriam participado de um esquema de fracionamento de salários, prática conhecida como rachadinha, que teria desviado cerca de R$ 1,7 milhão. O então chefe de gabinete, Jorge Luiz Fernandes, foi apontado como responsável pela nomeação dos assessores e pela organização dos repasses. Mesmo assim, Carlos não foi denunciado, justamente por falta de provas que o ligassem diretamente ao esquema.

Agora, com a reabertura do caso envolvendo Carlos e outras 25 pessoas, críticos questionam o timing da decisão. Pré-candidato ao Senado por Santa Catarina em 2026, o ex-vereador passa a enfrentar novamente um desgaste jurídico e político baseado em um processo que já havia sido encerrado.

Para aliados, a reativação da investigação soa menos como busca por justiça e mais como uma tentativa de manter figuras da direita sob constante suspeição, alimentando narrativas em períodos estratégicos. A avaliação é de que decisões como essa contribuem para a judicialização da política e para o enfraquecimento do debate democrático.

Procurado, Carlos Bolsonaro não se manifestou até a publicação da reportagem, mas seu entorno afirma que ele confia no arquivamento anterior e vê a retomada do caso como injustificada. O episódio reforça a percepção, entre seus apoiadores, de que investigações arquivadas ganham nova vida sempre que a direita avança no tabuleiro eleitoral.

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