Investigada por elo com o PCC pede fim do uso de tornozeleira

Investigada por elo com o PCC pede fim do uso de tornozeleira

Defesa de “Japa” afirma que monitoramento prolongado virou punição antecipada e causa sofrimento psicológico

Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa”, entrou com pedido na Justiça para que seja retirada a tornozeleira eletrônica que utiliza há quase dois anos. Investigada por associação criminosa e lavagem de dinheiro ligada ao PCC, ela sustenta, por meio de seus advogados, que a medida deixou de ser cautelar e passou a representar uma forma de castigo psicológico. O Ministério Público se posicionou contra a solicitação.

Karen foi presa em fevereiro de 2024 durante uma operação policial, quando agentes encontraram mais de R$ 1 milhão e cerca de US$ 50 mil em sua posse. Inicialmente, a prisão foi convertida em domiciliar por conta do filho que teve com Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro”, apontado como um dos líderes da facção criminosa e morto em 2018. Posteriormente, a prisão foi revogada, mas ela passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o monitoramento eletrônico.

Defesa aponta excesso no tempo de monitoramento

Segundo os advogados, Karen sempre colaborou com as investigações, jamais descumpriu determinações judiciais e permaneceu à disposição das autoridades durante todo o período. Eles argumentam ainda que, mesmo após o encerramento de um inquérito, novas apurações foram abertas, o que acabou prolongando indefinidamente o uso da tornozeleira — apesar de ela ainda não ter sido denunciada formalmente.

A defesa destaca que o tempo de monitoramento já ultrapassa a pena mínima prevista para o crime de lavagem de dinheiro, que é de três anos. Para os advogados, manter a medida nessas condições é desproporcional, além de gerar impactos profundos na vida pessoal, emocional e profissional da investigada.

“O uso prolongado do equipamento tem causado prejuízos irreversíveis à rotina e à dignidade da investigada, que tenta reorganizar sua vida dentro dos limites impostos pela Justiça”, afirmou a defesa no pedido.

MP é contra e Justiça vai decidir

O Ministério Público se manifestou pela manutenção da tornozeleira, entendendo que a medida ainda é necessária diante da gravidade das investigações. Caberá agora ao Judiciário analisar os argumentos de ambas as partes e decidir se o monitoramento será mantido ou revogado.

Investigação aponta esquema milionário

As investigações tiveram início em junho de 2023 e indicam que Karen teria papel relevante na lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na Baixada Santista, utilizando empresas registradas em nome de terceiros para movimentar recursos ilícitos.

Relatórios do Coaf apontam que uma das empresas ligadas a ela teria movimentado mais de R$ 35 milhões. Durante a operação que resultou em sua prisão, a polícia cumpriu mandados de busca em imóveis em Bertioga, em um escritório virtual e no apartamento onde ela foi detida, na capital paulista.

Karen é viúva de “Cabelo Duro”, investigado por crimes como roubos a marinas de luxo e homicídios, incluindo o de um policial militar. A polícia também apura se ele teve participação em execuções internas da facção.

O caso segue sob análise da Justiça, enquanto as investigações continuam em andamento.

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