Israel amplia ofensiva militar e anuncia tomada de partes de Gaza

Israel amplia ofensiva militar e anuncia tomada de partes de Gaza

Ministro da Defesa fala em zonas de segurança e retirada de moradores em meio à intensificação dos ataques

JERUSALÉM – O governo de Israel anunciou, nesta quarta-feira (2), uma nova fase da operação militar na Faixa de Gaza, prevendo a ocupação de grandes áreas do território palestino e sua incorporação às chamadas “zonas de segurança”. O avanço acontece em meio a uma escalada de ataques e à retirada forçada de milhares de habitantes.

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que as áreas sob combate serão esvaziadas e reforçou que o fim da guerra depende da eliminação do Hamas e da libertação dos reféns israelenses. Segundo ele, a ofensiva busca erradicar a infraestrutura do grupo e expandir o controle militar sobre o enclave.

Civis sob fogo cruzado

O Hamas reagiu à declaração, afirmando que os reféns israelenses só serão libertados por meio de negociações e não sob pressão militar. Enquanto isso, a população de Gaza enfrenta novos bombardeios e deslocamentos em massa. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 41 pessoas morreram nos ataques desta quarta-feira, incluindo 19 vítimas – entre elas, crianças – atingidas dentro de uma clínica da ONU que abrigava deslocados.

Na cidade de Khan Younis, um ataque aéreo devastou uma residência, deixando marcas de sangue nas paredes e objetos pessoais espalhados entre os escombros. “Desde que o bombardeio aconteceu, não conseguimos dormir ou sequer nos sentar”, relatou Rida al-Jabbour, enquanto segurava um pequeno sapato infantil.

Território ocupado cresce

A expansão da ofensiva gera preocupações sobre o futuro da Faixa de Gaza. Israel já controla cerca de 62 km² do território – aproximadamente 17% da área total –, segundo o grupo de direitos humanos Gisha. Essa zona inclui poços, estações de bombeamento de esgoto e terras agrícolas essenciais para a sobrevivência da população local.

Além da ocupação territorial, autoridades israelenses indicaram planos para facilitar a saída voluntária dos palestinos do enclave. A medida ocorre após declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sugerindo a evacuação total de Gaza e sua transformação em um resort sob controle americano.

A guerra segue sem perspectiva de cessar-fogo, enquanto Gaza enfrenta uma das piores crises humanitárias de sua história.

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