Israel e Irã declaram “vitória” e aceitam trégua frágil após 12 dias de ataques

Israel e Irã declaram “vitória” e aceitam trégua frágil após 12 dias de ataques

Cessar-fogo promovido pelos EUA interrompe temporariamente confrontos entre os países, mas ambos seguem trocando acusações e prometem retomar suas agendas militares

Doze dias de confrontos sangrentos entre Israel e Irã terminaram, ao menos por enquanto, com um cessar-fogo anunciado entre a noite de segunda e a madrugada desta terça. Mesmo assim, tanto Israel quanto o Irã aproveitaram o fim das hostilidades para se proclamar vencedores e reforçar que o conflito, embora interrompido, ainda não está encerrado.

O Exército israelense já declarou que, com a pausa nos ataques ao Irã, irá redirecionar suas forças para a Faixa de Gaza, onde mantém ofensiva contra o Hamas. “Agora nosso foco volta para Gaza — para trazer os reféns de volta e acabar com o regime do Hamas”, afirmou o chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir.

Logo após o anúncio, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também proclamou o “fim da guerra de 12 dias” e afirmou que a trégua é uma demonstração do sucesso do Irã frente ao que chamou de “aventura militar israelense”. Para ele, o conflito foi imposto ao país, e a resposta iraniana teria “forçado o inimigo a recuar”.

Já o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o cessar-fogo será mantido somente se o Irã também cumprir sua parte. Apesar da pausa, Zamir reforçou que a campanha militar contra o Irã ainda não está encerrada.

Pressão internacional e tensão no ar

A trégua foi anunciada apenas algumas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, criticar duramente os dois países por continuarem os ataques mesmo após seu plano de cessar-fogo. Pelo menos quatro pessoas morreram em Israel, na cidade de Bersheba, atingida por mísseis iranianos, enquanto moradores de Teerã enfrentaram intensos bombardeios aéreos.

Visivelmente irritado, Trump desabafou antes de embarcar para uma reunião da Otan, na Holanda:
— São dois países que lutam há tanto tempo que já nem sabem mais por que estão lutando — afirmou, usando linguagem incomum para um chefe de Estado.

Mesmo com a tensão, Trump voltou atrás poucas horas depois e assumiu o crédito pelo acordo:
— Israel e Irã queriam parar a guerra. Foi uma honra destruir as instalações nucleares iranianas e, depois, interromper a guerra — escreveu em suas redes sociais.

Acordo improvisado

Segundo fontes do New York Times, a decisão de Trump de selar o acordo pegou até seus assessores de surpresa. Ainda assim, figuras próximas a ele, como o vice JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff, teriam ajudado a empurrar o acordo adiante. O Catar também teve participação nas negociações.

O Irã reconheceu oficialmente a trégua com um comunicado de seu Conselho Supremo de Segurança Nacional, dizendo ter “imposto um cessar-fogo ao inimigo” e forçado Israel a “reconhecer a derrota”. Israel, por sua vez, em nota do gabinete de Netanyahu, afirmou que a ameaça de um Irã nuclear foi neutralizada.

Gaza: o outro campo de batalha

Enquanto isso, em Gaza, a situação humanitária continua crítica. Segundo a Defesa Civil local, 46 civis que aguardavam ajuda humanitária foram mortos por tiros israelenses próximos a centros de distribuição. O episódio foi o quinto do tipo desde o início da guerra entre Israel e Hamas.

O território, sob bloqueio desde março, ainda sofre com escassez de comida, medicamentos e outros itens essenciais. A Fundação Humanitária de Gaza, financiada por EUA e Israel, administra os pontos de distribuição atacados.

No mesmo dia, a Cruz Vermelha Internacional informou que um de seus funcionários também foi morto nos bombardeios em Gaza.


Cenário frágil
Apesar da trégua anunciada, o cenário permanece instável. A retórica de vitória por ambos os lados e a continuidade das hostilidades em Gaza indicam que a paz, por enquanto, ainda parece distante.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags