
Itamaraty pede R$ 352 milhões extras e alerta para risco de despejo em embaixadas brasileiras
Com caixa no limite, chanceler Mauro Vieira cobra crédito urgente para manter funcionamento do ministério, pagar aluguéis e garantir apoio às viagens internacionais de Lula.
O Ministério das Relações Exteriores enfrenta um aperto orçamentário e corre o risco de não conseguir honrar compromissos básicos até o fim do ano. Em um ofício enviado aos ministérios da Fazenda, Planejamento e Casa Civil, o chanceler Mauro Vieira solicitou um crédito suplementar de R$ 352 milhões para cobrir despesas de novembro e dezembro.
Segundo Vieira, o orçamento atual só garante recursos até o final de outubro. Sem a liberação extra, o Itamaraty pode ficar sem condições de pagar aluguéis de embaixadas e consulados, salários e benefícios de funcionários contratados no exterior, além de comprometer o apoio logístico às viagens internacionais do presidente Lula.
O ministro alertou que a situação é crítica: muitos contratos de aluguel vencem nos cinco primeiros dias de novembro, e o não pagamento pode resultar em multas e até ações de despejo contra representações diplomáticas brasileiras.
O documento, datado de 9 de outubro, foi endereçado aos ministros Fernando Haddad, Simone Tebet e Rui Costa. No texto, Vieira ressalta a “urgente necessidade de crédito suplementar para permitir a continuidade do funcionamento do ministério” e lembra que, até o fim do ano, o Itamaraty ainda deve organizar a cúpula do Mercosul e participar de eventos preparatórios para a COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas.
Além dos R$ 352 milhões, o chanceler também pediu o desbloqueio de R$ 110 milhões já previstos no orçamento, sendo R$ 37 milhões para novembro e R$ 73 milhões para dezembro, além da antecipação de limites de pagamento de despesas futuras.
A situação expõe o contraste entre o papel diplomático de destaque que o Brasil tenta recuperar no cenário internacional e as dificuldades financeiras enfrentadas dentro das próprias embaixadas — um impasse que, se não for resolvido, pode deixar a política externa brasileira literalmente sem teto.