
Joesley Batista teria mediado proposta para saída de Maduro do poder, aponta jornal
Empresário brasileiro teria atuado como emissário informal em tentativa dos EUA de negociar exílio do líder venezuelano antes da ação militar
Meses antes da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump buscou uma alternativa diplomática para encerrar o regime no país. Segundo o Washington Post, uma dessas tentativas contou com a atuação informal do empresário brasileiro Joesley Batista, controlador da JBS.
De acordo com a reportagem, Batista teria participado de uma missão discreta com o objetivo de convencer Maduro a renunciar ao cargo e aceitar um exílio, com a Turquia entre os destinos cogitados. A iniciativa teria ocorrido no fim de novembro, quando o empresário viajou a Caracas levando uma proposta alinhada aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.
Ainda segundo o jornal americano, o então enviado especial de Trump, Richard Grenell, já havia conduzido negociações oficiais, com apoio do Catar e contatos diretos com autoridades venezuelanas, como Jorge Rodríguez. No entanto, diante da recusa de Maduro e do impasse diplomático, interlocutores fora da diplomacia tradicional passaram a ocupar espaço nas conversas.
Entre os pontos discutidos na proposta estariam concessões relacionadas ao petróleo e a minerais considerados críticos, além do distanciamento da Venezuela em relação a Cuba, aliada histórica do regime chavista. As informações indicam que, apesar de não ter atuado oficialmente a pedido do governo dos EUA, os relatos levados por Joesley Batista foram considerados pela Casa Branca.
As tratativas, porém, não avançaram. Maduro e sua esposa teriam rejeitado de forma contundente a proposta, encerrando qualquer chance de transição negociada. Pouco depois, o governo Trump concluiu que a via diplomática estava esgotada, abrindo caminho para a intervenção militar que pôs fim ao governo venezuelano.
Procurada, a J&F, holding controladora da JBS, preferiu não comentar o assunto.