
Jornalistas são detidos na Venezuela e denunciam desaparecimento forçado e revista em celulares
Sindicato afirma que 14 profissionais da imprensa foram presos durante posse de Delcy Rodríguez; quatro já foram liberados
Ao menos 14 jornalistas e trabalhadores da imprensa foram detidos nesta segunda-feira (5) na Venezuela, segundo denúncia do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP). As prisões ocorreram dentro e nos arredores da Assembleia Nacional, durante a cerimônia de posse de Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, que assumiu o comando do país após a captura do presidente no sábado (3).
De acordo com o sindicato, quatro profissionais foram libertados até o fim da tarde, enquanto os demais permaneceram sob custódia por horas. Entre os detidos, 11 atuam em veículos internacionais e um em um meio de comunicação nacional. O SNTP afirma ainda que alguns jornalistas ficaram incomunicáveis, caracterizando casos de desaparecimento forçado.
Em publicação nas redes sociais, a entidade pediu a libertação imediata de todos os presos e denunciou restrições severas ao trabalho da imprensa. Os profissionais foram impedidos de transmitir ao vivo, gravar vídeos ou registrar imagens da cerimônia oficial.
Segundo o sindicato, pelo menos três jornalistas foram abordados por agentes da DGCIM, serviço de inteligência militar, e levados para uma área de controle da Guarda Nacional dentro do Palácio Legislativo. Durante a detenção, eles tiveram seus celulares revistados, sendo obrigados a fornecer senhas de acesso.
“Os agentes acessaram fotos, contatos, mensagens, áudios, redes sociais, e-mails e até arquivos armazenados na nuvem”, informou o SNTP.
O jornalista Daniel Álvarez, repórter da emissora Televen, teria sido liberado sem o telefone celular, que permaneceu sob custódia das autoridades.
Para o sindicato, a prática representa uma grave violação da liberdade de imprensa e do sigilo profissional.
“Esse tipo de atuação fere a privacidade, compromete a proteção das fontes e reforça um padrão de criminalização do exercício do jornalismo”, afirmou a entidade em nota.
As detenções ocorrem em meio a um cenário de forte instabilidade política no país, após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas sob acusações de envolvimento com o narcoterrorismo.