Juiz aposentado atropela e mata ciclista, paga fiança e segue livre com salário de luxo

Juiz aposentado atropela e mata ciclista, paga fiança e segue livre com salário de luxo

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Enquanto a vítima morre após dias na UTI, Fernando Rodrigues Junior, com renda mensal de R$ 129 mil, pagou R$ 40 mil e foi solto. Ele dirigia com uma mulher nua no colo no momento do atropelamento.

Thais Bonatti, de 30 anos, saiu de casa de bicicleta a caminho do trabalho e jamais voltou. Ela foi atingida por uma caminhonete em alta velocidade, na contramão, em Araçatuba (SP). No volante, estava o juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Junior, de 61 anos — que, segundo a polícia, estava visivelmente embriagado e com uma mulher nua no colo no momento do acidente.

Thais lutou por dois dias na UTI da Santa Casa de Araçatuba, passou por duas cirurgias e sofreu duas paradas cardíacas, mas não resistiu. Morreu na manhã de sábado (26), vítima de uma irresponsabilidade brutal.

O juiz, por sua vez, pagou uma fiança de R$ 40 mil e foi liberado na sexta-feira, antes mesmo da morte da jovem. Isso, mesmo com sinais de embriaguez, desorientação e o registro de que dirigia de maneira imprudente.

O que mais revolta? Talvez o fato de que, nos primeiros seis meses de 2025, Fernando Rodrigues recebeu mais de R$ 700 mil líquidos em salários como juiz aposentado. Uma média de R$ 129 mil por mês, conforme mostram dados do Portal da Transparência do Tribunal de Justiça de São Paulo. No total bruto, os rendimentos chegaram a R$ 914 mil no semestre.

Mesmo após o crime, a estrutura e os privilégios seguem intactos. Enquanto a família de Thais reza, chora e pede justiça, o ex-magistrado curte a liberdade garantida pelo bolso cheio e por um sistema que, mais uma vez, parece pesar de um lado só da balança.

🚨 O atropelamento

O acidente aconteceu na quinta-feira (24). Segundo a polícia, o juiz havia saído de uma boate com uma mulher, parou próximo a um supermercado, e ali a passageira tentou se sentar no seu colo. Nesse momento, o carro arrancou de forma descontrolada e atingiu Thais, que seguia normalmente de bicicleta para o trabalho.

O boletim de ocorrência registra que Fernando apresentava fala arrastada, desequilíbrio e forte cheiro de álcool. Mesmo assim, o caso foi inicialmente tratado como lesão corporal culposa — e só depois a prisão foi convertida em preventiva, mas com possibilidade de fiança.

🕊️ A dor da perda

Thais era auxiliar de cozinha. Trabalhadora, jovem, cheia de vida. Familiares e amigos passaram a noite de sexta-feira em vigília na porta do hospital, rezando por um milagre que não veio.

“Ela estava indo trabalhar… e foi atropelada por alguém que transformou o volante num palco de absurdo. Isso é impunidade vestida de toga”, desabafou um familiar.

⚖️ E o juiz?

Além de aposentado com salário altíssimo, Fernando Rodrigues é advogado inscrito na OAB, podendo atuar em todo o território nacional — exceto em Araçatuba, onde já foi juiz da 1ª Vara Cível.

Sua defesa divulgou uma nota lamentando o ocorrido e dizendo que está prestando apoio à família da vítima. Também afirmou que o silêncio do ex-juiz é tanto um dever legal quanto um “gesto de respeito”.

Mas para quem vê de fora, o silêncio não soa como respeito — soa como privilégio.

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