
Lula acusa “indústria da desconfiança” de sabotar confiança na economia
Em evento em São Paulo, presidente defende política fiscal do governo e anuncia novo modelo de crédito imobiliário com transição até 2027
Durante o lançamento de um novo modelo de financiamento habitacional em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o que chamou de uma “indústria de jogar desconfiança” sobre as contas públicas e a economia brasileira. Segundo ele, há um esforço constante para distorcer a percepção do povo sobre o desempenho do governo.
“Quando se fala em crescimento, emprego e renda, quase não aparece. Mas notícia de déficit fiscal é todo dia. Criaram uma indústria de gerar desconfiança na sociedade brasileira”, afirmou Lula durante o evento no Centro de Convenções Rebouças, nesta sexta-feira (10).
O presidente também rebateu críticas à condução da política fiscal e responsabilizou governos anteriores pela fragilidade das finanças públicas. “Não existe mágica na economia. O gestor público precisa ser responsável para não acabar respondendo judicialmente. Este país sofreu uma sanha de destruição nos últimos seis anos”, disse.
Novo modelo de crédito imobiliário
O governo federal aproveitou o evento para apresentar uma nova proposta de crédito habitacional, voltada a modernizar o sistema e garantir fontes mais sustentáveis de financiamento até 2027.
Atualmente, 65% dos recursos da poupança precisam ser direcionados ao crédito imobiliário, 20% são retidos pelo Banco Central e 15% têm uso livre pelos bancos. Com o novo modelo, o BC vai liberar 5 pontos percentuais do compulsório para as instituições que aderirem ao programa — o que deve injetar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões no setor.
Desse total, 80% deverão ser aplicados no Sistema de Financiamento Habitacional (SFH), com juros máximos de 12% ao ano, enquanto os 20% restantes irão para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que opera com taxas de mercado.
A mudança será feita de forma gradual até o fim de 2026, entrando em pleno funcionamento em 2027, em resposta a pedidos do setor da construção civil, que teme rupturas no sistema.
Lula concluiu o discurso afirmando que o Brasil precisa de “esperança e estabilidade, não de pânico fabricado”. Segundo ele, a desconfiança constante sobre as contas públicas “serve mais para travar o país do que para fazê-lo crescer”.