Lula aplaude ditaduras no exterior enquanto posa de defensor da soberania no Brasil

Lula aplaude ditaduras no exterior enquanto posa de defensor da soberania no Brasil

Em evento do PT em Salvador, presidente sai em defesa de Cuba e Venezuela e volta a atacar os EUA em discurso ideológico

Durante a comemoração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mostrar onde prefere fincar sua bandeira no cenário internacional. Em vez de críticas a regimes autoritários, Lula escolheu defendê-los — e apontar o dedo mais uma vez para os Estados Unidos.

No palco do evento, o presidente saiu em defesa aberta dos governos de Cuba e da Venezuela, tratando ambos como vítimas de perseguição externa. Segundo Lula, cabe apenas aos próprios venezuelanos decidir o futuro do país, ignorando o histórico de repressão, crise humanitária e colapso institucional que marcou o regime chavista ao longo dos anos.

Em tom de militância internacional, Lula afirmou que Cuba sofre um “massacre” econômico promovido pelos EUA e que o PT deveria encontrar formas de ajudar o regime da ilha. O discurso soou mais alinhado a slogans ideológicos do que à realidade de um país mergulhado em escassez, apagões e miséria.

A fala ocorreu dias após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana em Caracas. Ainda assim, Lula evitou qualquer crítica ao antigo ditador venezuelano, preferindo atacar Washington e defender a narrativa de soberania seletiva — aquela que vale para aliados ideológicos, mas nunca para quem pensa diferente.

O evento contou, inclusive, com a presença de representantes diplomáticos da Venezuela, da China e da Bielorrússia, num cenário que deixou claro o eixo político que o governo brasileiro tem buscado prestigiar.

Lula também aproveitou a ocasião para acusar os Estados Unidos de tentar barrar o acesso da China a terras raras e minerais críticos. Diante do embaixador chinês no Brasil, agradeceu a “parceria exitosa” com Pequim e afirmou que há uma disputa silenciosa para impedir que esses recursos estratégicos cheguem ao país asiático.

Enquanto critica tarifas, sanções e pressões externas, Lula repete o discurso de que o Brasil não quer ser “colonizado”. A contradição salta aos olhos: ao mesmo tempo em que se apresenta como defensor da soberania nacional, o presidente se alinha sem pudor a regimes autoritários e interesses estrangeiros convenientes ao seu projeto político.

No fim, o evento do PT serviu menos para celebrar a democracia e mais para reforçar uma velha escolha do lulismo: atacar democracias liberais, relativizar ditaduras amigas e vestir a ideologia como política externa oficial — tudo isso em nome de uma soberania que parece valer apenas quando lhe convém.

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