Lula aposta em Alckmin para impulsionar Haddad e tenta virar o jogo no interior paulista

Lula aposta em Alckmin para impulsionar Haddad e tenta virar o jogo no interior paulista

Presidente escala o vice como ponte com o eleitor conservador de São Paulo, fortalece o palanque de Haddad contra Tarcísio e reorganiza o tabuleiro da disputa ao governo e ao Senado em 2026

Com o olho atento no maior colégio eleitoral do País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu acionar uma peça-chave da sua engrenagem política: o vice-presidente Geraldo Alckmin. A missão é clara — ajudar Fernando Haddad a ganhar musculatura eleitoral no interior de São Paulo, região onde o PT tradicionalmente encontra resistência.

Lula quer Alckmin atuando como uma espécie de fiador político da campanha, alguém capaz de dialogar com setores mais conservadores do eleitorado paulista. Ex-governador por quatro mandatos, Alckmin ainda mantém trânsito em áreas estratégicas como o agronegócio e o empresariado do interior, mesmo após ter deixado o PSDB, migrado para o PSB e se aliado a Lula em 2022.

A estratégia será discutida em reunião marcada para a próxima terça-feira, dia 3, quando Lula, Alckmin e Haddad devem avaliar os primeiros movimentos da pré-campanha tanto ao Palácio dos Bandeirantes quanto ao Senado. A ideia é definir prioridades, escolher os públicos a serem abordados e ajustar o discurso para ampliar o alcance além da base tradicional petista.

Nos bastidores, o presidente já deixou claro que pretende manter Alckmin como vice na chapa da reeleição, mas com um papel ampliado: além de parceiro nacional, ele seria também um pilar fundamental na disputa paulista. O vice, por sua vez, não demonstra interesse em concorrer ao Senado, mas aceitou intensificar a presença no interior do Estado.

Lula também pediu que Alckmin e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, passem a viajar com frequência por cidades do interior, inclusive em fins de semana e feriados. O diagnóstico do Planalto é direto: sem ganhar espaço fora da capital e da Grande São Paulo, a campanha de Haddad corre o risco de ficar travada.

O cenário foi debatido em um jantar recente que reuniu Lula, Haddad, a primeira-dama Janja e Ana Estela Haddad. Apesar da resistência inicial, Haddad acabou cedendo ao pedido do presidente para entrar na disputa. Em público, porém, segue evitando confirmar oficialmente a candidatura.

A avaliação interna é de que Haddad pode estar entrando em uma disputa difícil. Atual governador, Tarcísio de Freitas ainda é visto como favorito, mesmo enfrentando desgastes políticos recentes e tensões com aliados. Ainda assim, aliados de Lula acreditam que um palanque forte, bem articulado e com Alckmin em campo pode mudar o rumo da eleição.

Além do governo estadual, a corrida ao Senado em São Paulo também está longe de ser simples. Nomes como Simone Tebet, Marina Silva e o próprio Márcio França disputam espaço em um tabuleiro com apenas duas vagas. Cada movimento exige cálculo fino e negociação intensa.

A segurança pública surge como um dos temas mais sensíveis da campanha. No Planalto, há preocupação com o discurso da oposição nessa área e com possíveis candidaturas que explorem esse flanco. Por isso, a estratégia envolve não apenas alianças políticas, mas também uma narrativa clara sobre os problemas do Estado e as soluções defendidas pelo campo governista.

No fim das contas, Lula aposta que a combinação entre a experiência de Alckmin, a visibilidade nacional de Haddad e uma campanha focada no interior pode virar o jogo em São Paulo. É uma aposta alta, arriscada, mas considerada essencial para fortalecer o projeto político do presidente e pavimentar o caminho para as eleições de 2026.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags