
Lula arruma as malas para o Chile enquanto o Brasil afunda e prestigia posse da direita
Viagem para cerimônia de José Antonio Kast reforça imagem de presidente turista e discurso pragmático fora do país
Enquanto o Brasil segue atolado em problemas econômicos, sociais e institucionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu incluir mais um carimbo no passaporte. Na próxima semana, Lula viaja ao Chile para acompanhar de perto a posse do novo presidente chileno, o direitista José Antonio Kast, marcada para quarta-feira, 11 de março.
A justificativa oficial é a de sempre: diplomacia, diálogo e “pragmatismo”. Nos bastidores, auxiliares do Planalto vendem a ida como um gesto político calculado, uma tentativa de mostrar que Lula consegue sorrir e posar para fotos até mesmo ao lado de um líder ideologicamente oposto. Na prática, porém, a cena reforça a imagem de um presidente mais presente em aeroportos internacionais do que enfrentando os problemas reais do país.
Antes da posse, Lula e Kast já haviam se encontrado em janeiro, no Panamá, durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. Foi ali, longe de Brasília e das cobranças internas, que o convite para a cerimônia foi feito — e prontamente aceito. O gesto, agora confirmado, é tratado como sinalização de “boa vontade diplomática”.
Assessores presidenciais afirmam que a participação na posse de um presidente de direita serviria para demonstrar maturidade política e disposição para uma relação institucional. Mas, para críticos, o roteiro soa mais como turismo político: viagens, encontros protocolares e discursos genéricos, enquanto o Brasil segue enfrentando inflação persistente, insegurança, desgaste institucional e promessas não cumpridas.
A ironia é inevitável: Lula, que costuma demonizar a direita em discursos internos, atravessa fronteiras para prestigiar justamente um líder conservador no exterior. Tudo em nome de um pragmatismo que, curiosamente, parece funcionar melhor fora do Brasil do que dentro dele.
No fim das contas, a viagem ao Chile simboliza um contraste difícil de ignorar. De um lado, um presidente empenhado em cultivar imagem internacional e posar como estadista global. Do outro, um país que segue “fundando” — ou afundando — em velhos problemas, à espera de soluções que não cabem em agendas de viagem nem em cerimônias de posse no exterior.