Lula assina GLO em Belém para COP30, mas ignora caos no Rio: um país de dois pesos e duas medidas

Lula assina GLO em Belém para COP30, mas ignora caos no Rio: um país de dois pesos e duas medidas

Enquanto o governo federal mobiliza Exército, Marinha e Aeronáutica para proteger chefes de Estado e usinas, o Rio de Janeiro sangra sem apoio nem solução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira (3) um decreto que coloca Belém (PA) sob uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) durante a COP30, a conferência mundial do clima. A medida, válida de 2 a 23 de novembro, transfere o comando da segurança local para as Forças Armadas, a pedido do governador Helder Barbalho (MDB).

O decreto, publicado no Diário Oficial da União, autoriza o Exército, a Marinha e a Aeronáutica a atuarem não só nas ruas da capital paraense, mas também em instalações estratégicas, como as hidrelétricas de Belo Monte e Tucuruí e os portos de Belém e Outeiro. Tudo para garantir a tranquilidade dos 57 líderes mundiais e representantes de até 198 países que participarão do evento.

No papel, a justificativa é nobre: assegurar a paz durante a cúpula ambiental que discutirá o futuro do planeta. Mas, fora das câmeras e dos discursos, o contraste é gritante. Enquanto o governo envia tropas para proteger chefes de Estado estrangeiros, o Rio de Janeiro — assolado por operações policiais com mais de cem mortos — segue abandonado à própria sorte, sem qualquer sinal de uma GLO para conter o caos cotidiano.

O texto oficial, assinado também pelos ministros José Múcio Monteiro (Defesa), Marcos Amaro (Segurança Institucional) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), fala em “garantir a segurança dos eventos e participantes”. Mas a segurança dos brasileiros comuns, especialmente os que vivem em áreas dominadas pelo tráfico e pela milícia, parece continuar fora da pauta presidencial.

Durante a COP30, Belém vai se transformar em vitrine global: navios de luxo abrigarão autoridades, helicópteros sobrevoarão o rio Guamá e militares farão rondas em cada esquina. Já o povo do Rio — que há décadas vive sob o som dos tiros — segue invisível, esquecido e, ironicamente, fora da “ordem” que a GLO promete garantir.

Um país que protege estrangeiros e abandona seus próprios cidadãos parece ter perdido o rumo.

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