
Lula assume comando do Mercosul com recado por união e trabalho conjunto
Subtítulo:
Após receber presidência rotativa das mãos de Javier Milei, presidente brasileiro defende integração regional, combate ao crime organizado e papel estratégico do bloco na COP 30
Durante a Cúpula de Chefes de Estado realizada nesta quinta-feira (3/7) em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu oficialmente a presidência temporária do Mercosul. O cargo, que gira entre os países-membros a cada seis meses, foi transmitido pelo argentino Javier Milei.
Em um encontro marcado por discursos breves e um cumprimento protocolar entre os dois líderes, Lula agradeceu o trabalho da presidência argentina e adiantou que o segundo semestre será de intensa atividade no bloco. “Quero agradecer à presidência argentina pelo trabalho desenvolvido ao longo desses meses. O próximo semestre será um período de muito trabalho”, disse.
A próxima cúpula está prevista para acontecer no Brasil, no fim do ano, e, até lá, Lula quer fortalecer a cooperação entre os países da América do Sul, especialmente em pautas como a COP 30 — conferência climática da ONU que será realizada em novembro. Segundo ele, o apoio dos vizinhos será essencial num momento em que o cenário internacional está tomado por “turbulências” e desconfianças no multilateralismo.
Lula também comentou propostas práticas surgidas na cúpula. Disse que dará atenção especial à sugestão argentina de criar uma agência regional de combate ao crime organizado, além de reafirmar o compromisso brasileiro com a integração e segurança energética do bloco.
Outro ponto levantado pelo presidente brasileiro foi a exploração de minérios nas Ilhas Malvinas, atualmente sob domínio britânico. Ele reforçou o apoio à reivindicação argentina sobre o território. “Já disse em Pequim e repito aqui: só nós, países latino-americanos, podemos decidir se seremos grandes ou pequenos. Temos todos os recursos e a força necessária para construir um futuro mais justo e sustentável”, destacou Lula, encerrando sua fala com uma defesa clara da autonomia regional.
Com a presidência em mãos, o Brasil agora lidera o Mercosul em um período de desafios e divergências internas, especialmente diante das posturas mais liberais de Milei e do Uruguai. Ainda assim, Lula parece disposto a apostar no diálogo e no fortalecimento coletivo como caminho para enfrentar as tensões globais e os dilemas regionais.