
Lula critica Congresso, mas também não se segura no orçamento
Presidente chama emendas de “sequestro” e minimiza atrito enquanto governo segue gastando além do limite
Em meio à crise causada pela indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu bater no Congresso – ou pelo menos fingir que bate. Durante a sexta reunião plenária do Conselhão, ele declarou que não tem nada contra o Legislativo, mas que o “sequestro” de 50% do Orçamento por emendas impositivas é um “erro grave”.
“Vocês acham que nós, no governo, temos algum problema contra o Congresso Nacional? A gente não tem. Eu sinceramente não concordo com as emendas impositivas. Eu acho que o fato do Congresso Nacional sequestrar 50% do orçamento é um grave erro. Mas você também só vai acabar com isso quando mudar as pessoas que governam e que aprovaram”, disse Lula, lembrando que criticar é fácil quando se controla metade das contas por conta própria.
Criado novamente em 2023 com a volta de Lula ao Planalto, o Conselhão reúne representantes da sociedade civil e tem a função de assessorar o presidente em políticas públicas e diretrizes de governo. No evento, realizado no Palácio Itamaraty, estavam presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, além de conselheiros que apresentam resultados e participam de painéis sobre desenvolvimento econômico, social e sustentável.
Entre discursos sobre equilíbrio fiscal e sustentabilidade, fica a ironia: Lula aponta o Congresso como vilão por gastar demais com emendas, enquanto o próprio governo não tem exatamente uma história de contenção nos gastos públicos. Afinal, criticar o “sequestro” das contas alheias enquanto se administra o próprio orçamento com mão larga é um clássico da política brasileira.