Lula critica machismo e diz que homens não aceitam ganhar menos que mulheres

Lula critica machismo e diz que homens não aceitam ganhar menos que mulheres

Em discurso em Brasília, presidente defende educação desde a infância e cobra apoio de igrejas e sindicatos no combate à violência contra a mulher

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer um discurso duro contra a violência de gênero e o machismo estrutural presente na sociedade brasileira. Durante o encerramento da 6ª Conferência Nacional das Cidades, realizada nesta sexta-feira (27), em Brasília, Lula afirmou que muitos homens agem por inveja e não aceitam a ideia de ver mulheres ganhando mais ou ocupando posições de destaque.

Segundo o presidente, esse comportamento é reflexo de uma cultura que precisa ser combatida desde cedo, ainda na infância. Para ele, a raiz da violência contra a mulher está na educação desigual que meninos e meninas recebem ao longo da vida.

“Eu disse ao ministro da Educação que a gente vai ter que começar lá na creche. O menino precisa aprender que ele não é maior, nem mais importante do que a mulher”, afirmou Lula, ao defender mudanças profundas no processo educacional.

Em tom direto, o presidente reforçou que a ideia de superioridade masculina não se sustenta na realidade. Ele destacou que há inúmeras mulheres mais fortes, mais preparadas e mais inteligentes do que muitos homens — e que isso, em muitos casos, desperta ressentimento.

“Está cheio de mulher mais forte que homem, mais inteligente que homem. E o homem é tão invejoso que não aceita que a mulher ganhe mais do que ele”, declarou.

Além de cobrar políticas públicas, Lula fez um apelo para que líderes religiosos e movimentos sindicais assumam papel ativo no enfrentamento da violência contra a mulher. Para ele, o combate ao feminicídio e às agressões não pode ficar restrito ao Estado, mas precisa envolver toda a sociedade.

“O enfrentamento disso passa por um processo de educação de homem para homem”, reforçou, ao defender uma mudança cultural ampla, capaz de desconstruir padrões machistas ainda profundamente enraizados.

O discurso foi recebido com aplausos pela plateia, formada em grande parte por mulheres e representantes de movimentos sociais. A fala de Lula se soma a outras declarações recentes em que o presidente tem destacado a necessidade de combater o machismo, ampliar a igualdade salarial e fortalecer políticas de proteção às mulheres.

Ao colocar o tema no centro do debate público, Lula tenta reforçar a mensagem de que violência de gênero não é um problema individual, mas um reflexo direto de desigualdades históricas que exigem enfrentamento coletivo, educação e mudança de mentalidade desde as primeiras fases da vida.

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