
Lula critica ofensiva dos EUA e diz que ataque à Venezuela ultrapassa limite aceitável
Presidente brasileiro afirma que ação americana fere a soberania venezuelana e cobra resposta firme da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (3) que os ataques realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultaram na captura do presidente Nicolás Maduro, representam uma violação grave da soberania do país vizinho e cruzam uma “linha inaceitável” nas relações internacionais.
Em nota oficial, Lula declarou que a ofensiva norte-americana remete aos piores episódios de interferência externa na América Latina e no Caribe, classificando a ação como um precedente perigoso para a estabilidade global. Segundo ele, a comunidade internacional precisa reagir de forma firme por meio da Organização das Nações Unidas (ONU).
“O Brasil condena essas ações e reafirma sua disposição em defender o diálogo, a cooperação e as soluções diplomáticas”, afirmou o presidente, destacando que o uso da força tende a aprofundar crises e aumentar a instabilidade internacional.
A declaração ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que forças americanas atacaram a Venezuela durante a noite e capturaram Nicolás Maduro, após meses de pressão política e acusações relacionadas a tráfico de drogas e ilegitimidade no poder. Trata-se da intervenção mais direta de Washington na região desde a invasão do Panamá, em 1989.
Segundo uma fonte do Itamaraty, a dimensão da ofensiva surpreendeu o governo brasileiro. Embora houvesse expectativa de algum tipo de ação americana, não se previa uma operação dessa magnitude.
Diante do cenário, o governo brasileiro convocou uma reunião no Ministério das Relações Exteriores, com participação virtual de Lula e do chanceler Mauro Vieira, além de diplomatas e autoridades da área de defesa. O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que não há movimentações anormais na fronteira entre Brasil e Venezuela, especialmente no estado de Roraima, que segue sob monitoramento constante.
A fronteira chegou a ser fechada por algumas horas neste sábado, mas foi reaberta ainda pela manhã, segundo informou o governador de Roraima, Antonio Denarium. Autoridades brasileiras seguem acompanhando a situação para avaliar possíveis impactos humanitários e de segurança na região.