
Lula defende Estado palestino e critica violência no Oriente Médio na abertura da Cúpula do Brics
Presidente brasileiro condena ataques do Hamas e denuncia “genocídio” em Gaza durante discurso no Rio de Janeiro
Na manhã deste domingo (6), durante a cerimônia de abertura da 17ª Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso firme em defesa da criação de um Estado palestino baseado nas fronteiras de 1967, como caminho para a paz na região da Faixa de Gaza.
Lula ressaltou que, embora repudie categoricamente os ataques terroristas cometidos pelo Hamas, não se pode ignorar o que chamou de “genocídio” praticado por Israel contra civis em Gaza, com uma “matança indiscriminada” e o uso da fome como arma de guerra.
Além do conflito entre Israel e Palestina, o presidente mencionou outras crises globais, como os recentes atentados na Caxemira, que reacenderam tensões entre Índia e Paquistão. Lula lembrou também que a violação de fronteiras e soberania dificulta os esforços para o controle de armas nucleares, destacando o impacto negativo desses conflitos para a estabilidade mundial.
Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula criticou intervenções internacionais feitas fora do respaldo do direito internacional, que, segundo ele, só aumentam a instabilidade, repetindo os erros das ações no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, cujas consequências ainda se fazem sentir, especialmente no Oriente Médio e no Sahel.
O presidente aproveitou para reafirmar a posição do Brasil contra as violações da integridade territorial do Irã, comparando a situação com a da Ucrânia, e pediu que as partes envolvidas no conflito ucraniano avancem para um diálogo direto visando cessar fogo e paz duradoura, sem mencionar a Rússia diretamente.
Lula concluiu destacando a importância do Grupo de Amigos da Paz, liderado por Brasil e China dentro do Brics, para dar voz ao Sul Global e buscar soluções para crises muitas vezes ignoradas pela comunidade internacional.
Neste cenário delicado, o presidente brasileiro enfatizou que o caminho para a paz passa pelo respeito ao direito internacional e pela busca de soluções que contemplem justiça para todos os povos envolvidos.