
Lula e Trump devem se encontrar em breve, confirma Mauro Vieira após reunião com Marco Rubio
Em meio à crise do “tarifaço”, chanceler brasileiro afirma que há interesse mútuo no encontro; política foi deixada de lado, e foco ficou nas tarifas e na reaproximação comercial.
O chanceler Mauro Vieira confirmou nesta quinta-feira (16) que os governos do Brasil e dos Estados Unidos estão trabalhando para realizar um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o americano Donald Trump “em breve”, embora a data e o local ainda não tenham sido definidos.
Vieira esteve reunido em Washington com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em um encontro que durou cerca de uma hora e foi descrito por ele como “produtivo e cordial”. Segundo o ministro, o clima foi de descontração e diálogo aberto — um primeiro passo, segundo ele, para destravar o impasse criado pelo tarifaço de 50% imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros desde julho.
“Reiterei a posição do presidente Lula sobre a necessidade de rever as medidas tarifárias adotadas recentemente pelos Estados Unidos. Esse será um processo de negociação, mas acredito que demos um início auspicioso”, afirmou Vieira, durante coletiva na Embaixada do Brasil em Washington.
Política fora da mesa
Apesar da tensão política entre os dois países, o encontro entre Vieira e Rubio evitou temas sensíveis, como o julgamento e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — aliado próximo de Trump. A conversa concentrou-se em assuntos comerciais e diplomáticos, com o Brasil pedindo a retirada da sobretaxa de 40% somada aos 10% de tarifa recíproca, o que elevou as taxas de exportação a 50%.
Vieira destacou que o diálogo aconteceu em clima “excelente”, com troca de ideias “muito clara e objetiva”. Segundo ele, já há um acordo preliminar para manter conversas frequentes entre os representantes dos dois governos a fim de construir uma agenda comum e definir prazos para novas rodadas de negociação.
Passo inicial de reaproximação
O ministro brasileiro classificou o encontro como um “primeiro passo promissor” no processo de normalização das relações bilaterais. O Itamaraty acredita que o contato direto entre Lula e Trump, previsto para ocorrer nas próximas semanas, poderá abrir espaço para um acordo mais justo e duradouro.
Do lado americano, além de Rubio, participaram da reunião o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o secretário-assistente de Defesa, Michael Jensen. Pela delegação brasileira, estiveram presentes a embaixadora Maria Luiza Viotti e os diplomatas Maurício Lyrio, Philip Gough e Joel Sampaio.
Após o encontro, uma declaração conjunta destacou o tom positivo das conversas e reafirmou a intenção de “colaboração em múltiplas frentes” e de promover o encontro entre Lula e Trump “o mais breve possível”.
O pano de fundo da crise
A tensão entre os dois países começou em julho, quando Trump anunciou um aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros, justificando a decisão com críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal. O republicano chegou a acusar o Brasil de promover uma “caça às bruxas” contra seu aliado político.
Embora o decreto de Washington tenha incluído exceções — beneficiando produtos como aviões, celulose e minério de ferro —, setores estratégicos como café, cacau e carne continuaram sendo fortemente afetados. O governo brasileiro classificou a medida como uma violação do princípio da reciprocidade e iniciou uma ofensiva diplomática para reverter as taxas.
Desde então, a reaproximação entre Lula e Trump tem ocorrido em etapas: um breve cumprimento na Assembleia Geral da ONU, uma ligação telefônica em outubro e, agora, a promessa de uma reunião presencial.
No tabuleiro diplomático, o encontro entre Lula e Trump promete ser mais que um gesto de cortesia — é um teste de força entre dois líderes que, apesar das diferenças ideológicas, sabem o peso econômico e político de um aperto de mão.