Lula endurece discurso e sustenta aumento do IOF para proteger gastos sociais

Lula endurece discurso e sustenta aumento do IOF para proteger gastos sociais

Presidente reage à pressão do Congresso e do mercado e diz que não vai recuar diante de setores que lucram bilhões, mas se negam a contribuir com o país

Em meio a uma crescente crise com o Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender publicamente o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), proposto por sua equipe econômica. A medida visa reforçar o caixa do governo para manter investimentos em áreas como saúde, educação, programas sociais e infraestrutura.

Mesmo com a reação negativa do mercado e a insatisfação de parlamentares — inclusive de partidos da base aliada —, Lula foi enfático ao afirmar que não aceitará ceder à pressão. “Se a gente tiver que cortar R$ 40 bilhões do orçamento, das obras, da saúde e da educação, então que o IOF sirva para compensar. Essa briga a gente precisa comprar. Não dá para recuar toda hora”, declarou em entrevista ao podcast Mano a Mano.

A fala ocorre após a Câmara dos Deputados aprovar a tramitação acelerada de um projeto que busca derrubar o decreto presidencial que elevou o tributo. O texto pode ser votado a qualquer momento, sem necessidade de passar por comissões, o que intensifica o desgaste do Planalto.

A proposta do governo, anunciada em 22 de maio, prevê um aumento de arrecadação de cerca de R$ 19 bilhões ao ano. A ideia é atingir principalmente operações de crédito, envio de dinheiro ao exterior e setores altamente lucrativos, como plataformas de apostas online (as chamadas bets), fintechs e investidores de alta renda.

Lula fez questão de criticar diretamente segmentos que, segundo ele, lucram bilhões e ainda assim resistem a contribuir com a arrecadação pública. “As bets pagam 12%, queremos que paguem 18%. Eles ganham bilhões e não querem pagar. As fintechs viraram praticamente bancos e também resistem. Isso é injusto”, disparou.

Diante da forte reação negativa, o governo recuou parcialmente no início de junho, com um novo decreto e uma medida provisória que amenizam parte dos aumentos e ajustam pontos considerados mais sensíveis, como a taxação de investimentos estrangeiros e remessas internacionais.

Mesmo assim, a crise se aprofundou e a proposta segue ameaçada no Congresso. O impasse expõe a dificuldade do governo em equilibrar a responsabilidade fiscal com o financiamento de políticas públicas, enquanto tenta conter a pressão de setores econômicos influentes e de uma base parlamentar cada vez mais fragmentada.

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