
Lula faz palanque para liberar verba que já é obrigação do governo
Presidente transforma dever constitucional em espetáculo político ao anunciar mais de R$ 1 bilhão para Ribeirão Preto
Como se estivesse entregando um favor pessoal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu nesta quinta-feira (18), em Brasília, para assinar a liberação de mais de R$ 1 bilhão em recursos federais destinados a obras de mobilidade urbana em Ribeirão Preto. O dinheiro, vale lembrar, sai dos cofres públicos — abastecidos pelo contribuinte — e faz parte das obrigações rotineiras do governo federal, não de um gesto de generosidade presidencial.
Ainda assim, o ato virou discurso, elogios e frases de efeito. Lula classificou Ribeirão Preto como “estratégica para o desenvolvimento do Brasil”, exaltou a “força econômica” da cidade e falou como se estivesse premiando o município, quando, na prática, apenas cumpriu o papel básico que se espera de qualquer chefe do Executivo: investir em infraestrutura urbana.
Os recursos fazem parte do Novo PAC – Avançar Cidades, programa do Ministério das Cidades que financia obras viárias, ligação entre regiões, melhoria do trânsito e projetos urbanos. Nada além do que já estava previsto em políticas públicas anunciadas há meses. Mesmo assim, o governo tratou a assinatura como um grande evento político, com direito a vídeo, cerimônia e desfile de autoridades.
O prefeito Ricardo Silva e aliados comemoraram como se o projeto tivesse finalmente saído do papel por benevolência do Planalto, apesar de se tratar de obras debatidas há décadas e que só avançam porque cidades pressionam por aquilo que lhes é de direito. Deputados também entraram no coro, falando em “fazer história”, enquanto a população segue aguardando que promessas antigas virem asfalto, viadutos e soluções reais para o trânsito.
No fim das contas, o roteiro é conhecido: o governo libera recursos públicos — obrigação constitucional —, monta um palco, distribui discursos e tenta vender o cumprimento do dever como um grande feito político. Para quem paga impostos, fica a ironia difícil de engolir: o cidadão banca a conta, e o governante posa para a foto.