Lula finge distância, mas Carnaval o desmente: presidente diz que “não pensa”, enquanto Planalto circulava pela escola

Lula finge distância, mas Carnaval o desmente: presidente diz que “não pensa”, enquanto Planalto circulava pela escola

Apesar do discurso de neutralidade, Lula já se reuniu com integrantes da escola e Janja visitou a Acadêmicos de Niterói antes do desfile que irritou evangélicos


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “não pensa” nas críticas feitas por evangélicos ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que o homenageou no Carnaval. A fala, feita durante agenda oficial na Índia, tenta passar a imagem de alguém completamente alheio ao enredo, aos carros alegóricos e às alas que causaram revolta — especialmente a que ironizou conservadores e símbolos religiosos.

O problema é que a versão não se sustenta sozinha. Enquanto Lula diz que apenas “aceitou a homenagem” e que “não é carnavalesco”, fatos mostram um envolvimento bem menos distante. O presidente já se encontrou com integrantes da escola e, um dia antes do desfile, a primeira-dama Janja da Silva esteve pessoalmente na quadra da agremiação. Difícil sustentar o discurso de neutralidade quando o próprio núcleo do governo circula livremente pelo barracão.

Questionado sobre as críticas, Lula respondeu de forma seca: “Eu não penso. Primeiro, porque não sou carnavalesco”. Em seguida, fez questão de agradecer efusivamente a escola e classificou a homenagem como “maravilhosa” e “extraordinária”. A contradição salta aos olhos: não pensa, mas elogia; não interfere, mas aceita, celebra e promete visita oficial depois.

O desfile que gerou a polêmica trouxe a ala chamada “neoconservadores em conserva”, com representações de famílias em latas e adereços religiosos — algo visto por muitos evangélicos como deboche. Ainda assim, Lula se esquivou de qualquer responsabilidade, afirmando que não escreveu o samba, não cuidou dos carros e apenas foi homenageado “numa música maravilhosa”.

O presidente também anunciou que, ao retornar ao Brasil, pretende ir pessoalmente à escola para agradecer a homenagem, que destacou a trajetória de sua mãe, Dona Lindú. A visita reforça a percepção de que o Planalto não apenas assistiu de longe, mas acompanhou e chancelou simbolicamente o desfile.

A reação negativa entre evangélicos expôs mais uma fissura na relação do governo com esse público. Ao dizer que “não pensa”, Lula tenta encerrar o assunto como se fosse irrelevante. Mas a presença prévia de Janja, os encontros com dirigentes da escola e o entusiasmo posterior desmontam o discurso e alimentam a crítica de que o presidente fala uma coisa em público e pratica outra nos bastidores.

No fim, fica a sensação de que o “não penso” soa menos como distração e mais como conveniência política — sobretudo quando os fatos insistem em pensar por ele.

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