Lula já em campanha: acenos às mulheres e promessa de “investimento” em educação

Lula já em campanha: acenos às mulheres e promessa de “investimento” em educação

Enquanto finge foco na juventude, presidente transforma debates educativos em palanque eleitoral e ironiza mercado financeiro

No último sábado (18), em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou um evento com estudantes de cursinhos populares para reforçar sua presença eleitoral antecipada e distribuir declarações de efeito. Em discurso de mais de 20 minutos, o petista exaltou a importância da independência financeira feminina e criticou a violência contra a mulher, afirmando que “uma profissão para ela é quase sagrada” e que nenhuma mulher deve ser “saco de pancada” de homem.

O aceno às eleitoras acontece justamente enquanto cresce a pressão para que Lula indique uma mulher para a vaga no Supremo Tribunal Federal deixada por Luís Roberto Barroso. Ao lado de ministros como Camilo Santana (Educação) e Fernando Haddad (Fazenda), o presidente fez um show de retórica sobre dignidade e autonomia, enquanto assinava compromissos de novos editais para expandir a Rede Nacional de Cursinhos Populares, com investimento de R$ 108 milhões para 2026.

Entre palavras de empoderamento feminino e defesa da educação, Lula não deixou de ironizar o mercado: “É difícil, a Faria Lima vai reclamar, o mercado vai reclamar. Mas nós não estamos gastando, estamos investindo na sobrevivência da nossa juventude”, disse, transformando o investimento social em palanque político.

O evento reuniu apoiadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e teve clima de comício, com “ola”, lanternas de celular e palavras de ordem. Para críticos, a cerimônia evidenciou o uso de políticas públicas — educação e incentivo financeiro a estudantes — como instrumento de propaganda eleitoral antecipada, enquanto o presidente mira 2026.

O discurso reforça a estratégia de Lula: mostrar preocupação com causas sociais e educação, ao mesmo tempo que transforma compromissos oficiais em ato político, repetindo a velha receita de usar o governo como plataforma de campanha, mesmo que o investimento em si seja necessário e legítimo. O que fica claro é que a linha entre gestão e marketing político continua mais tênue do que nunca.

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