
Lula manda recado a Trump: “Meu time não teme confronto”
Presidente afirma que Brasil prioriza negociação, mas não abrirá mão da soberania diante das tarifas americanas
Durante a cerimônia de assinatura da medida provisória “Brasil Soberano”, que ainda precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou com firmeza sobre a relação comercial do país com os Estados Unidos. A MP prevê ações para ajudar empresas brasileiras a enfrentar o aumento de tarifas imposto por Washington.
Recentemente, Donald Trump afirmou estar aberto a receber uma ligação de Lula para tratar do comércio bilateral. O presidente brasileiro, no entanto, interpretou a oferta como uma tentativa de interferência na soberania do país e descartou o contato por enquanto. Mesmo assim, o governo segue negociando sobre as tarifas de 50% aplicadas pelo ex-presidente norte-americano, que se baseou em argumentos políticos, incluindo o julgamento de Jair Bolsonaro.
Na cerimônia desta quarta-feira (13), Lula ressaltou:
“Meu time não tem medo de brigar. Se for preciso, vamos brigar. Mas antes, queremos negociar. Queremos vender, queremos comprar.”
O plano de contingência apresentado inclui a ampliação do programa Reintegra para todas as empresas exportadoras, com devolução de até 3% do valor exportado, e aumento para 6% para micro e pequenas empresas. A MP também prevê a suspensão por um ano de tributos do regime de drawback, que zera impostos sobre insumos importados para produção destinada à exportação.
Principais recados de Lula para Trump
- Negociação de peso: “Meu time de negociadores é imbatível. Nem Real Madrid, nem Barcelona, nem Paris Saint-Germain chegam perto. Mas estamos aqui para aproximar, não para apenas reciprocidade.”
- Justiça aplicada: “Se o que aconteceu no Capitólio tivesse ocorrido no Brasil, Trump estaria sendo julgado aqui também.”
- Soberania acima de tudo: “Nossa soberania é intocável. Ninguém vai dar palpite no que temos que fazer. O presidente Trump tem uma necessidade enorme de destruir o multilateralismo que equilibra o comércio mundial.”
- Pressão sem fundamento: “Estamos agindo como democracias fazem, julgando com presunção de inocência. A tarifa de 50% imposta ao Brasil não tem justificativa real.”
- Visão estratégica: “Crises nos obrigam a criar soluções. O Brics, que tanto assusta os EUA, é um grupo de países com quem temos uma balança comercial de US$ 160 bilhões — o dobro do que temos com os EUA. Queremos vender, comprar, aprender e ensinar mais. É assim que o Brasil se tornará grande.”