
Lula minimiza crise do IOF e promete diálogo com o Congresso: “Sem nervosismo”
Durante evento da Petrobras, presidente rebate críticas, defende negociação com o Congresso e provoca quem já fala em 2026: “Se preparem para a quarta eleição”.
Em meio ao embate entre o governo federal e o Congresso sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom conciliador nesta sexta-feira (4/7). Em evento da Petrobras no Rio de Janeiro, ele afirmou que o impasse será resolvido “com conversa e serenidade”, e reforçou que não há espaço para instabilidade em sua gestão.
“Tem quem diga que estamos em guerra com o Congresso. Eu sou agradecido pela relação que temos até aqui. O Parlamento aprovou 99% do que enviamos. Quando há discordância, é normal. A gente senta, conversa e encontra o meio-termo”, declarou Lula, durante solenidade que anunciou R$ 33 bilhões em investimentos em refino e petroquímica da Petrobras, na Refinaria de Duque de Caxias.
A fala surge após decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que suspendeu os decretos sobre o IOF e marcou uma audiência de conciliação para o dia 15 de julho. Lula reforçou que pretende resolver a questão na base do diálogo. “O governo pensa de um jeito, o Congresso pensa de outro. Mas isso se resolve na mesa de negociação. Não quero nervosismo”, afirmou.
Críticas ao Congresso e alfinetada nos bastidores eleitorais
Desde que o Congresso derrubou o decreto do governo que aumentava as alíquotas do IOF, Lula tem endurecido o discurso. Ele acusa parlamentares de cederem à pressão do lobby dos mais ricos e de empresas de apostas online, impedindo a taxação das camadas mais abastadas da população.
“Dizem que o governo acabou. Tem gente que já pensa na eleição. Mas mal sabem o que eu estou planejando. Se tudo sair como estou pensando, o Brasil terá pela primeira vez um presidente eleito quatro vezes pelo voto popular”, provocou, indicando novamente sua intenção de disputar a reeleição em 2026.
Ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Lula reafirmou seu compromisso com os investimentos da estatal e cobrou responsabilidade no debate público. “Não podemos deixar que criem crises onde só existe diferença de opinião. É assim que a democracia funciona.”