Lula, o milionário que critica pobres por votarem em ricos

Lula, o milionário que critica pobres por votarem em ricos

Com patrimônio declarado de R$ 7,4 milhões, presidente diz que “rico só é rico porque já roubou” — e esquece de olhar no espelho

Em mais uma daquelas falas que fazem até o senso comum ficar sem chão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu, nesta sexta-feira (25), dar uma bronca pública nos eleitores pobres que ousam votar em candidatos ricos. O local escolhido foi o Jardim Rochdale, bairro periférico de Osasco, onde ele discursou ao lado do prefeito Gerson Pessoa (Podemos) — um político, aliás, nada pobre.

Segundo Lula, a ideia de que “rico não rouba porque já tem dinheiro” é um engano. Com sua costumeira verve, disparou: “Ele só é rico porque já roubou, porra!”. Até aí tudo bem — se não fosse o detalhe pitoresco de que o próprio Lula declarou à Justiça Eleitoral, nas últimas eleições, um patrimônio de mais de R$ 7,4 milhões. Sim, ele mesmo, o agora crítico dos endinheirados, é oficialmente um deles.

Lula insistiu que o problema não é “nós contra eles”, e sim “eles contra nós”. E fez questão de repetir que, ao votar em um político rico, o eleitor está colocando “a raposa para cuidar do galinheiro”. Uma metáfora válida — mas vinda de quem já circula há mais de quatro décadas nas cercanias do poder e acumula fortuna no caminho, soa como piada pronta.

Para completar o roteiro da visita, Lula anunciou um pacote de R$ 4,67 bilhões para urbanização de favelas em 49 localidades espalhadas por 32 municípios. A crítica ao voto em ricos veio justamente no dia em que o governo tenta vender a ideia de justiça social, propondo taxação de quem ganha acima de R$ 50 mil para isentar os que recebem até R$ 5 mil.

No entanto, o discurso de Lula, recheado de “nós, os pobres”, esbarra na realidade de seu próprio contracheque e patrimônio. Porque, no fim das contas, o “rico que já roubou” pode estar mais próximo do palanque do que do banco.

A ironia mora justamente aí: o presidente que diz defender o povo contra os poderosos fala como se ainda fosse aquele operário do ABC — mas hoje frequenta hospitais cinco estrelas, acumula milhões em bens e ainda quer convencer os eleitores que os “outros ricos” são o problema.

Fica a pergunta: se o rico sempre roubou, o que dizer de quem ficou milionário depois de décadas na política?

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