Lula reage à condenação de Bolsonaro, ironiza Fux e minimiza ameaça de sanções dos EUA

Lula reage à condenação de Bolsonaro, ironiza Fux e minimiza ameaça de sanções dos EUA

Presidente critica divergência do ministro do STF e reafirma confiança na Justiça brasileira, mesmo diante de pressões internacionais

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado nesta quinta-feira (11) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de 2022, ao lado de outros sete réus, incluindo militares e ex-integrantes do governo. O único voto divergente veio do ministro Luiz Fux, que defendeu a absolvição do ex-presidente.

Durante evento em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou para brincar sobre a capacidade de articulação política do ministro da Educação, Camilo Santana, responsável pela criação da Carteira Nacional Docente.

“Quero valorizar a dedicação do Camilo nesse processo. Ele resolveu não brigar mais com a Esther [Dweck], saiu do ministério, foi ao Senado, apresentou a proposta, trabalhou e concretizou a ideia. Isso é o máximo do máximo mesmo. Nem o Fux seria capaz de fazer o mesmo”, disse Lula, arrancando risadas da plateia composta principalmente por aliados do governo.

Em entrevista à Band, o presidente foi mais firme ao comentar a posição de Fux: “Se o ministro não quiser provas, é problema dele. As provas estão fartas. O ex-presidente articulou tudo covardemente e não teve coragem de assumir”. Apesar das críticas, Lula reconheceu que não cabe ao chefe do Executivo opinar sobre votos individuais da Suprema Corte, mas ressaltou que o Estado democrático de direito não pode ser ameaçado.

Diversos membros do governo se manifestaram sobre a condenação. A ministra Gleisi Hoffmann classificou a decisão como marco histórico para a democracia; o ministro Luiz Marinho afirmou que a estabilidade política é essencial para o crescimento econômico; e Márcio Macedo, da Secretaria-Geral da Presidência, reforçou que “ninguém está acima da lei”.

No plano internacional, a condenação de Bolsonaro gerou tensão com os Estados Unidos. O governo americano afirmou que poderia agir para proteger a liberdade de expressão, uma declaração interpretada pelo Palácio do Planalto como ameaça. O Itamaraty respondeu que Washington não compreendeu todas as provas reunidas pela Polícia Federal. Lula, por sua vez, minimizou as pressões:

“Se o Trump vai tomar outras atitudes, é problema dele. Nós iremos reagir na medida em que forem tomadas. As sanções já impostas são falsas, e ele sabe que é mentira o que disseram sobre o Brasil. É arrogância querer impedir que a Justiça brasileira julgue alguém que cometeu um crime reconhecido como tal pela própria Justiça.”

Mesmo com tarifas adicionais sobre cerca de 50% das exportações brasileiras para os EUA, 25% das vendas, equivalentes a US$ 10 bilhões em 2024, continuam livres de sobretaxas, incluindo produtos como celulose e ferro-níquel.

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