
Lula reage a Trump: “Insensatez com o Brasil” e reforça apoio a Cuba
Presidente critica sanções e tarifas dos EUA, questiona justificativa de Washington e minimiza revogação de vistos do programa Mais Médicos
Durante a inauguração da nova fábrica de hemoderivados da Hemobrás, em Goiana (PE), nesta quinta-feira (14/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao governo dos Estados Unidos. Ele classificou as recentes sanções e tarifas impostas pelo presidente Donald Trump como uma verdadeira “insensatez” em relação ao Brasil.
“O Trump cometeu uma insensatez com o Brasil. Somos parceiros dos Estados Unidos há 201 anos, não é de ontem, é uma história de diplomacia que atravessa gerações”, afirmou Lula, ressaltando a longa tradição de relações bilaterais.
O presidente questionou a justificativa apresentada por Washington para o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, chamando-a de “mentirosa”. Segundo ele, os EUA alegaram que o déficit comercial justificaria a elevação das taxas, o que Lula considera um argumento falso: “Eles dizem que ganhavam menos e nós mais, mas isso não corresponde à realidade. E ainda publicaram a decisão em carta no portal de Trump, sem enviar diretamente para o Planalto”.
Revogação de vistos e Mais Médicos
O pronunciamento ocorre em meio a um novo atrito diplomático: na quarta-feira (13), os Estados Unidos revogaram vistos e limitaram a entrada de servidores brasileiros e ex-integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) envolvidos no programa Mais Médicos. A ação, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi justificada como punição por suposta “cumplicidade com a exportação de mão de obra do regime cubano”.
Lula minimizou o impacto das restrições e aconselhou tranquilidade: “O mundo é enorme, o Brasil tem 8,5 milhões de km². Temos espaço de sobra para caminhar e atuar”, disse, em tom descontraído.
O presidente também reafirmou a importância de manter laços respeitosos com Cuba: “Nossa relação com Cuba é baseada no respeito a um povo que sofre com um bloqueio há 70 anos. Os Estados Unidos perderam essa guerra; que aceitem e deixem os cubanos viverem em paz”.