
Lula reage, cutuca Trump e convoca: “É hora de proteger o STF nas urnas”
Presidente sai em defesa de Alexandre de Moraes, critica intromissão dos EUA e alerta: bolsonarismo mira o Senado para atacar a democracia
Num discurso cheio de recados, neste domingo (1º), o presidente Lula (PT) não economizou nas críticas ao governo de Donald Trump. Ele reagiu à ameaça de sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, levantada por autoridades americanas após decisões do magistrado que afetaram plataformas digitais ligadas a aliados da extrema direita, como Elon Musk, dono do X (ex-Twitter).
“Veja só… os Estados Unidos querem processar o Alexandre de Moraes porque ele quer prender um brasileiro que vive lá e passa o dia atacando o Brasil. Mas que história é essa? Desde quando eles podem criticar nossa Justiça? Eu nunca meti o bedelho na deles, e olha que eles fazem guerra, cometem atrocidades… Nunca critiquei”, disparou Lula, durante o congresso do PSB.
O evento, que oficializou João Campos como novo presidente do PSB, foi palco para Lula não só defender Moraes, mas também lançar um alerta: a eleição para o Senado no ano que vem será decisiva. Segundo ele, a extrema direita está articulando uma super bancada na Casa com um único objetivo — tentar enquadrar ou até derrubar ministros do STF, especialmente Moraes.
“Se não tivermos maioria no Senado, eles vão tentar desmontar o Supremo. E não é porque o Supremo é uma maravilha, uma maçã doce. É porque, sem instituições, não sobra democracia. Se a gente destruir tudo o que não gosta, não sobra nada”, avisou.
O clima de tensão aumentou depois que o governo Trump, por meio do Departamento de Estado, publicou até recados em português nas redes sociais, deixando claro que quem ‘atrapalhar’ a liberdade de expressão dos americanos — na visão deles — será alvo de retaliações. Uma cutucada direta contra Moraes e, por tabela, contra decisões da Justiça brasileira.
Pra piorar, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se licenciou do cargo e se mudou para os EUA, tem atuado como uma espécie de embaixador informal do bolsonarismo, pressionando autoridades americanas a adotarem sanções contra o STF.
Além de defender Moraes, Lula chamou a esquerda pra guerra digital. Pediu que militantes parem de compartilhar discurso de ódio da extrema direita e que se tornem, nas suas palavras, “influenciadores da resistência”.
“Quando atacarem o PSB, a resposta tem que ser na lata: pau em quem atacou!”, cravou.
Por fim, ao ser questionado sobre disputar a reeleição, Lula respondeu no tom que é sua marca registrada: “Se eu estiver bonitão do jeito que estou, apaixonado do jeito que estou e com a saúde em dia, podem ter certeza: essa extrema direita não volta a governar esse país nunca mais”. A plateia respondeu em coro: “Sem anistia!”, numa referência aos golpistas do 8 de Janeiro.