
Lula recorre a Maduro e provoca críticas ao insistir em diálogo com chavismo
Em ligação com Trump, presidente brasileiro defende negociação pacífica na Venezuela, enquanto ignora crimes do regime
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a colocar o Brasil na polêmica sobre a crise venezuelana. Em uma ligação com Donald Trump, na última segunda-feira (6), o petista defendeu uma saída “pacífica e negociada” para a Venezuela, ignorando as graves violações cometidas pelo regime de Nicolás Maduro.
Segundo informações apuradas, Lula teria afirmado que o Brasil e os EUA devem tratar o tema “no momento oportuno”, priorizando o diálogo em vez de ações mais firmes. Durante a conversa, também foram discutidas questões comerciais, incluindo a recente sobretaxa aplicada por Washington sobre produtos brasileiros.
O presidente brasileiro reforçou ainda que o governo cobrou de Caracas a divulgação das atas eleitorais de 2024, que até hoje não foram apresentadas, mantendo Maduro no poder sob acusações de fraude. Para Lula, a solução seria uma transição negociada e democrática, sem ruptura institucional e sem qualquer intervenção externa — uma posição que, na prática, minimiza os atos autoritários e a opressão do regime.
Em recentes aparições internacionais, incluindo na Assembleia-Geral da ONU, Lula criticou o uso da força em operações fora de guerra, alertando para “consequências humanitárias irreversíveis”. Porém, ao priorizar o diálogo com Maduro, o presidente brasileiro é visto como submisso a um ditador que reprime a própria população, enquanto rejeita medidas mais efetivas de responsabilização.
A conversa com Trump abriu espaço para novas negociações bilaterais, mas reforçou a crítica de setores que veem no posicionamento de Lula um gesto de apoio ou tolerância ao chavismo, em vez de uma defesa firme da democracia e dos direitos humanos na Venezuela.