
Lula relata criação do Foro de São Paulo e alerta para avanço da extrema-direita
Presidente fala em Nova York sobre a importância da união da esquerda latino-americana e reflete sobre erros e acertos do campo progressista
Em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compartilhou com líderes de esquerda a história da criação do Foro de São Paulo, coletivo que reúne partidos e organizações progressistas da América Latina. Idealizado em 1990 por Lula e pelo então presidente de Cuba, Fidel Castro, o fórum nasceu da necessidade de unir forças políticas que até então se viam como rivais.
Durante o encontro, organizado pelo Brasil, Espanha, Chile e Uruguai, o presidente revisitou sua trajetória política, lembrando a eleição de 1989, quando chegou ao segundo turno com 47% dos votos. “Eu, um simples metalúrgico, fui segundo colocado. A partir dessa votação, convoquei a primeira reunião do Foro de São Paulo para mostrar que a esquerda organizada podia alcançar a presidência”, afirmou.
Lula destacou que, antes da criação do Foro, os grupos de esquerda latino-americanos estavam fragmentados e muitas vezes em conflito. “Os países tinham muitas organizações de esquerda, e ninguém falava com ninguém”, disse.
O presidente também refletiu sobre os erros da esquerda e sobre os desafios atuais. “Os líderes democráticos precisam se perguntar todos os dias: onde erramos? Como permitimos que a extrema-direita crescesse com tanta força? É virtude deles ou falha nossa?”, questionou, chamando à atenção para a necessidade de aprendizado e autocrítica dentro do campo progressista.