
Lula sanciona aumento para servidores do Legislativo — e a conta gera controvérsia
Reajuste aprovado, “penduricalhos” barrados, e críticas à escolha do governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que garante reajuste salarial aos servidores do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas da União (TCU) para o ano de 2026. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (18) — e já provoca refluxo político e indignação em diversos setores da sociedade.
Mas antes que a caneta fosse totalmente celebrada por aliados, Lula vetou os chamados “penduricalhos” — benefícios extras que poderiam elevar os salários de altos funcionários da Câmara dos Deputados acima do teto constitucional.
O que foi aprovado — e o que foi vetado
📊 Reajuste apenas para 2026
O aumento salarial foi mantido apenas para este ano, cobrindo as carreiras do Congresso, Senado e TCU, com recomposição de valores considerados defasados.
🚫 “Penduricalhos” cortados
Lula barrou trechos do projeto que criavam benefícios como licenças remuneradas convertíveis em dinheiro — uma jogada que poderia empurrar salários de servidores acima do limite permitido pela Constituição. Em alguns casos, tais penduricalhos poderiam ter feito rendimentos ultrapassarem cerca de R$ 77 mil mensais, bem acima do teto fixado em aproximadamente R$ 46.366,19, que é o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Por que isso importa?
A justificativa oficial para os vetos é técnica: segundo o governo, permitir benefícios que criam despesa obrigatória para além do mandato violaria dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Constituição.
Mas a reação pública e política tem sido dura. Muitos veem a sanção seletiva como uma decisão populista em ano eleitoral — com Lula aprovando o aumento para servidores do Legislativo, cuja função é fiscalizar e legislar, enquanto setores essenciais como saúde, educação e segurança seguem com salários estagnados. A crítica principal é que, em um país com tantas desigualdades, prioridade a benefícios de servidores do Legislativo soa desconectada da realidade da maioria dos brasileiros.
Governo x teto constitucional
Ao barrar os penduricalhos, Lula impediu que regras criadas pelo próprio Congresso elevassem salários além do limite constitucional. Isso pode ser visto por alguns como um ato de responsabilidade fiscal — mas também alimenta a percepção de que ajustes e benesses são negociados em Brasília sem ampla consulta pública ou foco nas prioridades da população.
Em resumo: o reajuste ficou aprovado — mas a conta provocou reação e desconfiança sobre o critério utilizado pelo governo no momento em que escolheu beneficiar uma parte do funcionalismo que muitos criticam como privilegiada.
Seja como for, o debate sobre teto constitucional, privilégios e prioridades continuará quente nas rodas de política e na opinião pública.