
Lula vira as costas para piscicultores enquanto libera tilápia do Vietnã
Governo chama a tilápia brasileira de “espécie invasora”, mas abre as portas para que a JBS traga 700 toneladas do mesmo peixe de fora — e quem paga a conta é o produtor nacional
Setor que gera milhões de empregos se revolta com contradição do governo e teme prejuízos, burocracia e quebra generalizada
Em um país que se orgulha de ser o 4º maior produtor de tilápia do mundo, o governo brasileiro conseguiu criar uma crise completamente evitável. De um lado, rotula a tilápia criada aqui como espécie invasora, exigindo mais burocracia e mais barreiras. Do outro, abre caminho para que a gigante JBS importe toneladas do mesmo peixe… só que do Vietnã.

Se tem algo que os produtores brasileiros não engolem é incoerência — e esse episódio, para muitos, soa como um tapa na cara.
Uma decisão que afronta quem produz
Segundo o Anuário PeixeBR, o Brasil produziu mais de 662 mil toneladas de tilápia em 2024 — quase 70% de todo o peixe cultivado no país. É uma cadeia forte, tecnológica, em expansão, geradora de cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos.
Mesmo assim, o governo decidiu liberar a importação da tilápia vietnamita, que chega ao Brasil com um custo mais baixo, padrões sanitários questionáveis e riscos já apontados por especialistas.
A Associação Brasileira da Piscicultura chamou a decisão de “imprudente”, e com razão. Enquanto os produtores lutam contra custos altos, burocracia e incertezas, o governo abre o mercado para um concorrente direto — justamente num momento de crescimento histórico do setor.
E o pior: o peixe já está vindo
A imprensa vietnamita confirmou:
O primeiro contêiner — 24 toneladas — já saiu do porto de Ho Chi Minh.
É apenas o começo de um pacote maior: 32 contêineres, totalizando 700 toneladas, todos comprados pela JBS.
A previsão de chegada ao Brasil é 17 de dezembro. Um presente de Natal amargo para milhares de famílias brasileiras que sobrevivem da piscicultura.
O governo admite que pode dar errado — mas segue adiante
Questionado, o Ministério da Pesca reconheceu que o impacto é real, mas respondeu com o típico discurso vazio: “estamos avaliando”, “estamos monitorando”.
Ou seja:
Eles sabem que pode prejudicar produtores, cooperativas e trabalhadores, mas preferem continuar empurrando o problema com a barriga.
Já o Ministério do Meio Ambiente reafirmou que a tilápia está na lista de espécies exóticas invasoras — o que aumenta a vigilância, cria mais burocracia, mas “não proíbe o cultivo”.
Na prática, o governo dificulta a vida de quem produz aqui e facilita para quem quer vender de fora.
Quem depende do setor está revoltado — e com motivo
A piscicultura brasileira vinha crescendo, inovando, exportando e gerando emprego. Agora, vê o próprio governo agir como se estivesse torcendo contra o país.
A sensação é clara:
Quando o assunto é agricultura, pesca ou produção nacional, Lula aperta — mas para os grandes conglomerados, ele afrouxa tudo.
Enquanto o Vietnã comemora um novo mercado, o piscicultor brasileiro amarga insegurança e indignação. O peixe mais popular do Brasil corre o risco de virar símbolo de como o governo escolheu prejudicar quem trabalha para favorecer quem importa.
E no fim das contas, como sempre, quem paga a conta é o produtor — e o consumidor brasileiro, que vê seu próprio mercado ser deixado à deriva.