
Luxo, descaso e irresponsabilidade: funkeiro atropela jovem durante gravação em SP
MC Tuto dirigia um Porsche enquanto gravava conteúdo e deixou um rapaz de 20 anos gravemente ferido; caso é tratado como tentativa de homicídio
Um vídeo que circula nas redes sociais escancara uma cena revoltante: em meio à ostentação, câmeras ligadas e clima de espetáculo, o funkeiro Emerson Teixeira Muniz, conhecido como MC Tuto, atropela um jovem de 20 anos em Barueri, na Grande São Paulo. O episódio ocorreu na madrugada de sábado (24/1) e terminou com o artista preso, agora em prisão preventiva, após decisão da Justiça.
As imagens são claras e perturbadoras. Enquanto dirigia um Porsche 911 Carrera GTS, carro de luxo avaliado em milhões, MC Tuto aparece mais atento ao celular da passageira — uma modelo — do que à via à sua frente. O veículo, equipado com uma câmera acoplada ao capô para registrar cenas do videoclipe, seguia em velocidade incompatível com o local, uma área com circulação de pedestres e sem autorização formal para gravação.
O resultado foi devastador. Gabriel Luiz Berrelhas Alves, de 20 anos, foi lançado ao chão com violência, sofreu fraturas nas pernas, costelas e lesões no crânio. Mesmo após uma cirurgia no tornozelo, o jovem precisou retornar à UTI, onde segue internado, lutando para se recuperar de um atropelamento que, segundo a polícia, poderia ter terminado em morte.
Apesar do histórico de sucesso do cantor — dono de hits, milhões de streams e até indicação ao Grammy Latino —, o episódio evidencia um contraste difícil de engolir: fama e dinheiro não compram responsabilidade. A sensação é de que a vida de um jovem foi tratada como mero obstáculo no roteiro de um clipe.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que o caso foi registrado como tentativa de homicídio, e exames periciais foram solicitados ao Instituto de Criminalística e ao IML. MC Tuto foi transferido para o CDP II de Guarulhos, onde permanece detido.
Em nota, a defesa afirma que o artista é réu primário, tem residência fixa e colabora com as investigações. Também lamenta o ocorrido. Mas, diante das imagens e da gravidade das consequências, o sentimento que fica para muitos é de indignação. Não se trata de um simples “acidente”, e sim de uma escolha imprudente, marcada por vaidade, pressa e total desprezo pela segurança alheia.
Enquanto um jovem segue entre a dor e a incerteza, resta a pergunta incômoda: até quando a irresponsabilidade travestida de sucesso continuará sendo tratada como algo menor?