
Macron defende Estado palestino desmilitarizado e apela por fim imediato à guerra em Gaza
Presidente francês pressiona EUA por cessar-fogo e reforça diplomacia multilateral na ONU
Durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um discurso em que pediu o fim da guerra em Gaza e defendeu a criação de um Estado palestino desmilitarizado, reconhecido por Israel. Antes de subir ao púlpito, Macron se encontrou com representantes do governo dos Estados Unidos, pressionando o presidente Donald Trump a trabalhar por um cessar-fogo imediato, em meio a quase dois anos de conflito entre Israel e Hamas.
O pronunciamento ocorreu pouco depois da França anunciar oficialmente o reconhecimento do Estado da Palestina, movimento diplomático seguido por outros países nos últimos dias. Macron enfatizou a importância de resolver conflitos de forma multilateral, restaurando o espírito de cooperação que fundamentou a criação da ONU há 80 anos.
— Precisamos abrir caminho para a paz imediata, a libertação dos reféns, a estabilização de Gaza, a desmilitarização e o desmantelamento do Hamas, além do reconhecimento mútuo entre os dois Estados — disse Macron. — Um Estado palestino desmilitarizado que reconhece Israel, e um Estado israelense que reconhece a Palestina.
O presidente francês destacou que não há segurança para Israel enquanto a guerra persistir e criticou o aumento de conflitos globais e atos de violência que desrespeitam a Convenção de Genebra. Para Macron, fortalecer a ONU é essencial para lidar com crises como Gaza e Ucrânia.
Macron também elogiou o movimento internacional de reconhecimento do Estado palestino, rejeitando alegações de que seria uma “recompensa” ao Hamas. Segundo ele, a iniciativa é a maneira mais eficaz de isolar o grupo islâmico, citando uma proposta conjunta com a Arábia Saudita.
O presidente francês ainda chamou atenção para o papel dos Estados Unidos, que fornecem armas a Israel, e sugeriu que Trump poderia contribuir significativamente para a paz na região.
Enquanto isso, ações humanitárias em Gaza seguem limitadas, com a população enfrentando fome e deslocamento forçado, e esforços diplomáticos internacionais buscando pressionar Israel a reduzir a ofensiva no território. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o risco de um terceiro ano de destruição em Gaza, destacando a necessidade urgente de interromper a violência e os assentamentos ilegais.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também se posicionou na Assembleia, denunciando o uso da fome como arma de guerra e defendendo a sobrevivência do povo palestino por meio de um Estado independente e integrado à comunidade internacional.