
Maduro decreta “comoção externa” em meio a tensões com os EUA
Medida concede poderes especiais ao governo venezuelano enquanto frota militar americana se mobiliza no Caribe, em clima de crescente ameaça internacional.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assinou nesta segunda-feira um decreto de “comoção externa”, anunciou a vice-presidente Delcy Rodríguez. A medida concede poderes extraordinários ao governo diante de uma eventual incursão militar estrangeira.
Durante uma reunião com diplomatas, Rodríguez afirmou que a ação dos Estados Unidos, citando o senador Marco Rubio, representa uma ameaça proibida pela Carta das Nações Unidas. “Se ousarem atacar nosso país, ativaremos o decreto de comoção externa”, disse a vice-presidente.
Segundo a Constituição venezuelana, o decreto tem validade de 90 dias, podendo ser prorrogado por mais 90. Ele permite a mobilização completa das Forças Armadas, a supervisão de serviços públicos e da indústria de hidrocarbonetos, além da ativação de milícias no sistema integrado nacional.
A decisão acontece em meio à movimentação de uma frota militar dos EUA no Caribe, iniciada em agosto. Washington afirma que a presença visa combater o tráfico de drogas, mas o governo de Maduro alega que a ação americana tem como objetivo desestabilizar o país e removê-lo do poder.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos ainda não se pronunciou sobre a medida. Analistas internacionais veem o decreto como um sinal de escalada das tensões, que coloca a Venezuela em estado de alerta máximo e aumenta os riscos de conflito na região.