
Maduro reage à pressão dos EUA e convoca alistamento em massa
Caracas mobiliza população diante da chegada de frota militar americana ao Caribe
A Venezuela vive um fim de semana de alta tensão. Neste sábado (23), a vice-presidente Delcy Rodríguez convocou os cidadãos a se inscreverem na Milícia Bolivariana, atendendo ao chamado do presidente Nicolás Maduro para um alistamento nacional. A medida é uma resposta direta ao que o governo classifica como “avanço insolente dos Estados Unidos”.
Segundo a emissora estatal TeleSur, a mobilização acontece em praças e quartéis de todo o país. Rodríguez afirmou que a convocação é um ato de defesa da soberania:
“O avanço dos EUA ousa ameaçar nossa pátria. A resposta do povo será firme, guiada pela consciência nacional e pelo orgulho de nossa dignidade histórica.”
O apelo do governo ocorre justamente quando os EUA ampliam sua presença militar no Caribe. Um esquadrão anfíbio com 4.500 militares, incluindo 2.200 fuzileiros navais, deve chegar à costa venezuelana neste domingo (24). A frota, composta por três navios de guerra especializados em operações anfíbias — USS San Antonio, USS Iowa Jima e USS Fort Lauderdale —, foi enviada sob o argumento de combate a cartéis de drogas latino-americanos, classificados por Washington como “organizações narcoterroristas”.
Além do reforço militar, o governo de Donald Trump também aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Maduro, acusado pelos EUA de chefiar uma rede de narcotráfico. Caracas rejeita as acusações e denuncia uma “campanha de agressão armada e psicológica” contra o país.
Rodríguez e Maduro ainda lembraram a Declaração de Havana de 2014, que reconhece a América Latina e o Caribe como uma Zona de Paz, reforçando que a presença militar norte-americana ameaça diretamente esse compromisso regional.
Neste cenário, Caracas busca projetar união nacional enquanto os EUA aumentam a pressão — e o risco de um conflito direto cresce a cada hora.