Mansão do silêncio: como um sindicalista investigado na “Farra do INSS” ergueu um império em Jarinu

Mansão do silêncio: como um sindicalista investigado na “Farra do INSS” ergueu um império em Jarinu

Enquanto aposentados sofriam com descontos misteriosos, a família de João Batista Inocentini, o “João Feio”, construía luxo no interior de SP

Entre 2022 e 2024, enquanto milhares de aposentados reclamavam de descontos indevidos em seus benefícios, a família do sindicalista João Batista Inocentini — mais conhecido como João Feio — levantava uma mansão cinematográfica em Jarinu, interior de São Paulo. O imóvel, de 519 m², piscina azul reluzente e até um lago artificial, surgiu justamente no período em que a entidade criada e presidida por ele, o Sindnapi, entrou na mira da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, na investigação batizada de “Farra do INSS”.

O terreno, de 11 mil metros quadrados, foi comprado em agosto de 2022 por R$ 540 mil. Pouco tempo depois, a paisagem mudou radicalmente: o sítio simples deu lugar a uma área construída de quase 1.000 m², com salão de festas, depósito, casa de caseiro ampliada e toda a pompa digna de quem parecia ter a vida bem mais confortável que os aposentados que dizia defender.

O timing chama atenção: exatamente quando o Sindnapi viu explodir a arrecadação — saltando de R$ 23 milhões, em 2020, para absurdos R$ 154 milhões em 2024 — a mansão foi erguida. Esse aumento coincidiu com o acordo firmado entre o sindicato e o banco BMG, que resultou em centenas de denúncias de idosos tendo seus dados usados sem autorização para descontos em folha, sob a desculpa de empréstimos consignados.

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) já foi instalada em Brasília, e há pedidos para convocar dirigentes do Sindnapi, entre eles José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Lula.

Mesmo diante de imagens de satélite mostrando a transformação do sítio e dos relatos de aposentados lesados, o sindicato insiste em dizer que “não há irregularidades” e que todas as contas são auditadas. Sobre a mansão, a resposta foi curta: trata-se de “propriedade privada”.

Enquanto isso, a matemática cruel não fecha: de um lado, aposentados contando moedas, de outro, dirigentes sindicais vivendo em casas de revista de arquitetura.

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