Messias reage a Trump e defende soberania do Brasil: “Não aceitamos ameaças nem interferência”

Messias reage a Trump e defende soberania do Brasil: “Não aceitamos ameaças nem interferência”

Advogado-geral da União escreve no New York Times, critica tarifa de 50% imposta por Trump e afirma que o Brasil não tolera ingerência externa no Judiciário

O advogado-geral da União, Jorge Messias, não deixou barato. Em um artigo publicado no The New York Times, ele rebateu com firmeza a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — medida que veio acompanhada de críticas ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Messias classificou como inaceitável a tentativa de Trump de relacionar as tarifas à investigação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “Trump afirmou que as tarifas estão ligadas ao julgamento de Bolsonaro, acusado de participar de uma tentativa de golpe. Como advogado-geral, preciso deixar claro: o Brasil não aceita pressão externa sobre sua Justiça”, escreveu.

Para o ministro, os processos em curso contra os envolvidos no ataque à democracia são conduzidos por um Judiciário independente, e cabe exclusivamente ao Brasil lidar com essas questões. “Não há espaço para ingerência estrangeira quando se trata da aplicação da lei em nosso território”, reforçou.

Trump, por sua vez, tem usado tarifas como instrumento político desde o início de seu mandato e, agora, voltou seus ataques ao Brasil — especialmente após defender publicamente Bolsonaro. O republicano chegou a dizer que o Brasil não tem sido “bom” para os EUA, ameaçando taxações ainda mais severas sobre exportações brasileiras.

A nova tarifa de 50%, que começa a valer em 1º de agosto, é um agravamento do tarifaço de abril, quando os produtos brasileiros foram taxados em 10%. A medida afeta setores estratégicos, como aço e alumínio, e acendeu o alerta em Brasília.

Em resposta, Messias defendeu que o Brasil continuará firme em seus princípios: “Nenhum governo estrangeiro tem o direito de ditar os rumos da nossa Justiça. Defender nossa legalidade e soberania é um dever inegociável.”

Além da questão comercial, Trump também acusou o Brasil de censurar empresas de tecnologia e de atacar a liberdade de expressão. Messias rebateu: “No Brasil, liberdade de expressão existe, mas não se confunde com o direito de espalhar violência, fraudes ou ataques à democracia — algo que, aliás, é regra em qualquer país democrático.”

O artigo também reforça que, apesar das tensões, o governo Lula mantém o compromisso com uma relação de diálogo com os EUA — mas exige respeito. “Temos divergências, sim, e elas devem ser resolvidas com conversa, não com ameaças ou punições”, concluiu.

O presidente Lula compartilhou o artigo em sua conta oficial e endossou a fala de Messias: “O Brasil segue sendo um país de diálogo, mas não vai abrir mão de defender os interesses do seu povo, das suas empresas e das suas instituições democráticas.”

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