
Michelle Bolsonaro cobra diálogo de Lula e Donald Trump
Em carta lida no Acre, ex-primeira-dama pede que o presidente abandone a “vingança” e busque entendimento com os EUA após tarifa imposta por Trump
Durante um evento no Acre neste sábado (13), Michelle Bolsonaro leu uma carta pública direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem mencionar o pedido de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, defendido por seu enteado Eduardo Bolsonaro, a ex-primeira-dama fez um apelo para que o petista adote uma postura conciliadora diante da crise com os Estados Unidos.
A tensão aumentou após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando retaliação à suposta perseguição política sofrida por Jair Bolsonaro no Brasil. Michelle, por sua vez, pediu que Lula “baixe as armas da provocação” e abandone o que chamou de “desejo de vingança”, defendendo que seja retomado o diálogo com o governo americano.
Ao longo da carta, Michelle critica duramente o atual presidente. Segundo ela, Lula estaria agindo movido por “ideologias doentias” e “terceirizando a culpa de seus próprios erros”. Ela ainda afirma que o Brasil está diante de uma oportunidade de evitar as sanções e que “chega de ódio e irresponsabilidade”. Para Michelle, punições como essa só foram aplicadas, até hoje, a regimes autoritários — numa tentativa de associar o governo petista a práticas antidemocráticas.
Enquanto Michelle faz um apelo por paz diplomática, Eduardo Bolsonaro segue em outra direção: parabenizou Trump pela tarifa e sugeriu que o Congresso aprove uma anistia ampla para os envolvidos nos atos golpistas. Ele também culpou diretamente o ministro Alexandre de Moraes pela retaliação americana, chamando a medida de “Tarifa-Moraes”.
Segundo Eduardo, Trump reagiu ao que classificou como “escalada autoritária” do Supremo Tribunal Federal e entendeu que o sistema institucional brasileiro apoia os atos de Moraes. Em sua visão, o Brasil está pagando um preço econômico por escolhas políticas internas.
Lula, por sua vez, respondeu que pretende negociar. Anunciou a criação de um comitê com empresários para reavaliar a política comercial com os EUA. Mas também deixou claro que, caso a tarifa seja mantida, o Brasil retaliará — e um decreto para regulamentar a Lei da Reciprocidade está previsto para ser publicado nos próximos dias.
Enquanto isso, o governo tenta equilibrar o discurso de soberania com ações diplomáticas, e o embate ideológico entre bolsonaristas e o Planalto ganha mais um capítulo — agora com Michelle se posicionando de forma menos belicosa, mas ainda afiada contra Lula.